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13 de abril de 2024
Rádios

A silvicultura no eixo do Rio Iratim

Setor florestal movimenta mais de R$ 1 bilhão nos municípios de Palmas, Gal. Carneiro, Bituruna e Cel. Domingos Soares.

AgriculturaEconomia

por Guilherme Zimermann

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Foto: Guilherme Zimermann/Rádio Club
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Com uma área plantada de 76,5 mil hectares, empregando mais de 7,4 mil trabalhadores e movimentando R$ 1,3 bilhão no Valor Bruto de Produção (VBP), o setor florestal segue encabeçando a economia dos municípios do eixo do Rio Iratim, no Sul do Paraná.

[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim — Fonte: IGPlan
Fonte: IGPlan

A bacia hidrográfica do Iratim compreende os municípios de General Carneiro, Bituruna e Coronel Domingos Soares, além de Palmas, que deu origem aos outros três municípios.

Terra dos campos e dos pinheirais nativos, o município de Palmas teve no inicio da sua formação, quando da “descoberta dos campos”, no inicio dos anos 1800, a pecuária como base da sua atividade econômica. A existência das vastas florestas era vista como um empecilho para a expansão das áreas de pastagem.

Em sua dissertação de mestrado, intitulada “Entre campos e florestas: transformações da paisagem no município de Palmas”, a historiadora Janete Chaves Carlin aborda aspectos deste tema, pontuando que a extração madeireira passou a ocupar um espaço de destaque na economia do município no inicio dos anos 1900, com a criação de estradas e a expansão da rede ferroviária para as regiões que hoje compreendem o Sul do Paraná e o Norte de Santa Catarina.

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O ápice da exploração madeireira na região de Palmas ocorre entre as décadas de 1950 e 1980. Somente no período entre 1970 e 1980, existiam quase 100 serrarias no município palmense.

Porém, já na década de 1960, eram percebidas as mudanças na configuração dos ecossistemas da região e o governo do Paraná, por exemplo, iniciava um projeto de reflorestamento, com incentivo ao plantio de pinus para a indústria madeireira, de papel e celulose. Nesta época, as primeiras experiências de reflorestamento eram desenvolvidas em Palmas, sobretudo após a promulgação do Código Florestal de 1965.

[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim — Recorte do jornal Correio do Paraná (Fonte: Arquivo/Biblioteca Nacional)
Recorte do jornal Correio do Paraná (Fonte: Arquivo/Biblioteca Nacional)

A expansão da nova cultura foi rápida. De acordo com o Censo Agropecuário de 1975, em Palmas foram contabilizados 1,78 milhão de pinheiros araucária e 11,1 milhões de pinus plantados. Em Bituruna eram 988 mil araucárias e quase 3,4 milhões pinus, enquanto que em General Carneiro foram contabilizados 12,7 milhões pinus e 3,5 milhões pinheiros. Na época, Coronel Domingos Soares ainda era um distrito pertencente a Palmas. A sua emancipação ocorreu em 1995.

[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim — Dados do Censo Agropecuário de 1975 (Fonte: IBGE)
Dados do Censo Agropecuário de 1975 (Fonte: IBGE)

Mesmo com a popularização do pinus, pesquisadores apontavam para a necessidade de ampliação dos polos florestais no Estado. Em reportagem publicada no dia 26 de agosto de 1975, o jornal Diário do Paraná destaca que “Só eixos florestais podem salvar situação do Paraná”. Baseado em levantamentos do Centro de Pesquisas Florestais da Universidade Federal do Paraná, o jornal apresentava um panorama da cobertura florestal do Estado, com redução expressiva dos seus percentuais.

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[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim — Recorte do jornal Diário do Paraná (Fonte: Arquivo/Biblioteca Nacional)
Recorte do jornal Diário do Paraná (Fonte: Arquivo/Biblioteca Nacional)

Uma das soluções, de acordo com a reportagem, era a criação de dois polos florestais no Paraná. Um deles no eixo Telêmaco Borba-Sengés e outro no eixo Guarapuava-Palmas, que integraria também os municípios de General Carneiro, Bituruna, Pinhão, Inácio Martins, Pitanga e Laranjeiras do Sul. O objetivo era reflorestar 500 mil hectares com araucárias e pinus. O financiamento do projeto ocorreria por meio de incentivos fiscais às empresas interessadas.

Ainda na reportagem, era destacado que a escolha da região entre Guarapuava e Palmas ocorreu por ela ser considerada uma das “melhores do mundo” para a produção de matéria prima para papel e celulose.

Mais de 40 anos depois, a área destinada à produção florestal nos municípios de Palmas, Coronel Domingos Soares, Bituruna e General Carneiro ultrapassa 76,5 mil hectares, de acordo com levantamento da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE).

O setor reúne, aproximadamente, 230 empresas, que juntas, empregam mais de 7,4 mil trabalhadores na região, segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais).

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[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim

Relatório do Valor Bruto de Produção (VBP) de 2022, divulgado pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná no último mês de agosto, aponta que as florestas plantadas foram responsáveis pela movimentação de R$ 1,3 bilhão nos quatro municípios.

[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim

No mercado internacional, o setor madeireiro dos municípios banhados pelo Rio Iratim exportou o equivalente a US$ 248,7 milhões no ano de 2022, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Palmas se destaca pela produção de compensados, movimentando US$ 185,3 milhões em exportações no ano passado.

[Grupo RBJ de Comunicação] A silvicultura no eixo do Rio Iratim

Apesar dos números expressivos e sua relevância dentro do contexto econômico estadual, o setor florestal do Paraná tem desafios a enfrentar. Um deles não é novo. Assim como em 1975 se apontava a necessidade da criação de eixos para produção, a realidade atual não é diferente.

Em entrevista à Rádio Club de Palmas, o presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal, Zaid Nasser, pontuou que o Estado precisa ampliar seus polos de produção florestal, principalmente na região Noroeste.

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Ressaltou que, muito além de expandir o efetivo plantio, o objetivo é investir em tecnologia para melhorar a produtividade por hectare, visto que o espaço para ampliar a área plantada é limitado. Ouça no player abaixo:

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