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Grupo RBJ de Comunicação,
28 de setembro de 2021
Rádios

Conheça a história do movimento que quase tornou Palmas capital de um Estado

Essa foi a proposta do Estado das Missões, movimento que surgiu no inicio dos anos 1900.

Educação e CulturaRBJ TV

por Guilherme Zimermann

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Um Estado independente, integrando Sudoeste e Centro-Sul do Paraná e Norte, Meio-Oeste, Oeste e Extremo-Oeste de Santa Catarina, com o município de Palmas como capital. Essa foi a proposta do Estado das Missões, movimento que surgiu no inicio dos anos 1900, a partir da mobilização política de lideranças da região, que buscava uma solução para o impasse de limites entre Paraná e Santa Catarina. No meio dessas discussões, ocorre ainda a Guerra do Contestado.

O Movimento em Prol do Estado das Missões: Uma Luta pela Emancipação do Contestado (1909-1917) é o tema da dissertação de mestrado do historiador Gabriel Goulart Barboza, que, em entrevista à Rádio Club FM, contou um pouco dessa história.

Ele explica que a ideia de criação do Estado das Missões surgiu pela primeira vez, em 1909, em Palmas, pois tratava-se de uma reivindicação de algumas lideranças locais, que exigiam a emancipação administrativa do território conhecido como “O Contestado”, área de 48 mil quilômetros quadrados disputada pelo Paraná e Santa Catarina, e torná-lo mais um estado do Brasil.

Conforme jornais da época, o novo Estado contaria com uma população de 130 mil habitantes, com a capital sendo “a cidade de Palmas e mais Campos Novos, as vilas de Chopim, Mangueirinha, Salto do Funil, Porto União, Campo de S. João. S Roque, Lageadinho, Encruzilhada, Campo Alto, S. Thomaz de Papanduva, Herval, Chapecó, Conceição e outros”.

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Entre as lideranças à frente do movimento inicialmente estavam Bernardo Ribeiro Vianna, Coronel Domingos Soares, Coronel Amazonas Marcondes e José Cleto da Silva, que integravam a Comissão Popular pelo Estado das Missões. Inclusive, a sede dessa comissão funcionava no palacete que hoje abriga o Museu Municipal.

O historiador comenta que, inicialmente, a ideia de criação do novo Estado até contou com um certo apoio do governo paranaense. Porém, com a Guerra do Contestado, o movimento perdeu força. Ele comenta que a discussão do Estado das Missões ainda reapareceu mais duas vezes, nos anos de 1922 e 1927, sem citar, por exemplo, outras iniciativas, como o Estado do Iguaçu, que chegou a ser discutido até a década de 1990.

Ponto destacado por Barboza foi o reflexo da Guerra do Contestado e do movimento pelo Estado das Missões no atual cenário político e social da região. “Nós não estudamos História para ficarmos presos ao passado, mas sim para entendermos o nosso presente. Essa região foi muito explorada e sua população reprimida. Nunca se pensou no desenvolvimento dessa região. Eu acredito que, sim, todo esse histórico da região se reflete até hoje”, considera.

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