Venda de animais domésticos gera debate entre proteção animal e preservação das raças
Tema voltou à discussão após proibição da comercialização de pets durante a Expobel, em Francisco Beltrão
Social
por Léo Willian
A venda de animais domésticos voltou a gerar debate em Francisco Beltrão após a realização da Expobel sem a comercialização de cães e gatos. A medida foi adotada após a aprovação de uma lei municipal, de autoria do vereador Bruno Savarro, permitindo apenas ações de adoção durante o evento.
Segundo o parlamentar, a proposta foi criada após estudos e discussões envolvendo a causa animal e teve como principal objetivo combater o abandono e os maus-tratos registrados no município. Durante entrevista, Bruno Savarro destacou que a preocupação envolve, principalmente, compras feitas por impulso em ambientes com grande circulação de pessoas.
De acordo com o vereador, situações envolvendo crianças e famílias durante eventos acabam incentivando decisões tomadas no calor do momento, o que, posteriormente, pode contribuir para casos de abandono de animais.
O tema, no entanto, também levanta discussões envolvendo o direito das pessoas de adquirir animais de raça e a preservação das próprias raças ao longo do tempo.
O médico veterinário José Carlos Zanella afirmou que considera inviável impedir completamente a comercialização de animais. Segundo ele, existe uma demanda de pessoas que desejam adquirir determinadas raças, e isso faz parte de um processo histórico de seleção e preservação genética dos animais.
Durante entrevista, o veterinário também ressaltou que a adoção segue sendo importante no combate ao abandono de cães e gatos, defendendo que as duas situações podem coexistir. Segundo Zanella, incentivar a adoção de animais resgatados é uma alternativa para reduzir a quantidade de animais em situação de rua, sem necessariamente impedir a criação legalizada de animais de raça.
A discussão sobre o tema segue dividindo opiniões entre defensores da proteção animal, criadores e profissionais da área veterinária, especialmente em relação aos limites entre comércio, responsabilidade e bem-estar animal.