Trabalho infantil ainda preocupa e especialistas alertam para casos naturalizados pela sociedade
CREAS reforça importância das denúncias e da proteção integral de crianças e adolescentes
RBJ TV e Especial Publicitário
por Deise Bach
O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, lembrado neste dia 12 de junho, reforça a necessidade de conscientização sobre uma realidade que ainda afeta milhares de crianças e adolescentes no Brasil. Em entrevista à Rádio Onda Sul FM, a coordenadora do CREAS de Francisco Beltrão, Inês Koop, destacou que um dos principais desafios é combater a naturalização do trabalho infantil, prática que muitas vezes ainda é vista como algo aceitável por questões culturais.
Segundo a especialista, o trabalho infantil vai além da atividade remunerada e inclui situações que privam crianças de direitos fundamentais, como estudar, brincar e conviver com a família e a comunidade. A legislação brasileira proíbe qualquer forma de trabalho para menores de 14 anos. Entre 14 e 16 anos, a atuação é permitida apenas na condição de aprendiz, enquanto o trabalho formal pode ocorrer a partir dos 16 anos, desde que não envolva atividades perigosas ou insalubres.
Inês explica que as consequências do trabalho precoce podem acompanhar a pessoa por toda a vida. Além de prejudicar o desempenho escolar e aumentar o risco de evasão, muitas atividades expõem crianças e adolescentes a esforços físicos e situações que podem causar problemas de saúde na fase adulta.
A coordenadora também diferencia o trabalho infantil das tarefas domésticas compatíveis com a idade, que ajudam no desenvolvimento da responsabilidade. O problema ocorre quando a criança assume jornadas de trabalho, atividades pesadas ou situações que colocam sua segurança e seu desenvolvimento em risco.
Em Francisco Beltrão, o acompanhamento dos casos envolve a atuação da rede de proteção, formada por órgãos como CREAS, Conselho Tutelar e equipes de abordagem social. O objetivo é garantir os direitos das crianças e orientar as famílias, promovendo o acesso a serviços de convivência e fortalecimento de vínculos.
A população também tem papel fundamental no enfrentamento do problema. Casos suspeitos podem ser denunciados de forma anônima por meio do Disque 100, Conselho Tutelar, CREAS ou autoridades policiais.
A entrevista completa com Inês Koop, abordando os desafios do combate ao trabalho infantil e as ações desenvolvidas em Francisco Beltrão, pode ser conferida no vídeo ao final desta matéria.