Mesmo num mundo digital, com grande parte das atividades sociais e profissionais sendo realizadas através de computadores e dispositivos móveis, os usuários ainda precisam aprender a usar senhas para proteger se proteger no ambiente on-line. Um exemplo desta má prática foi a divulgação acidental, no inicio do mês, de todas as senhas das contas dos perfis do Governo Federal em redes sociais.

Em uma publicação no Twitter do perfil Portal Brasil, que falava sobre a permanência da Força Nacional no Rio Grande do Norte, foi postado um link em anexo, onde o usuário era direcionado para um arquivo do Google Drive onde estavam as senhas de redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram.

No Facebook, a senha era  “planaltodotemer2016”, contendo ainda uma observação em caixa alta na cor vermelha “não trocar a senha nunca”. Conforme o especialista em ataques cibernéticos, Altieres Rohr, a simples manutenção de uma ‘planilha-mestre’ para compartilhar senhas já demonstra amadorismo da equipe que faz a comunicação da presidência da República, preocupando-se mais com a facilidade, deixando de lado a segurança. Sem considerar ainda a senha escolhida, que, na avaliação de especialistas em segurança digital, não apresentava qualquer dificuldade para ser descoberta.

Uma pesquisa da Kaspersky Lab, empresa desenvolvedora de softwares de segurança, mostrou que as pessoas colocam sua segurança on-line em risco ao tomar decisões incorretas e cometer erros simples em relação às senhas que usam, o que pode gerar consequências de longo alcance.

O levantamento revelou três erros comuns no uso de senhas que colocam em risco um grande número de usuários da Internet: (1) as pessoas usam a mesma senha em diversas contas, o que significa que se uma delas for descoberta, todas elas poderão ser invadidas; (2) as pessoas usam senhas fracas, fáceis de decifrar e (3) as pessoas armazenam suas senhas sem segurança, invalidando totalmente o objetivo de ter uma senha.

A pesquisa mostra ainda que muitas pessoas (quase um quinto – 18%) já passaram por uma tentativa de invasão de conta, mas poucas tinham uma segurança por senha eficiente e inteligente em vigor. Por exemplo, apenas um terço (30%) dos usuários da Internet criam senhas novas para diferentes contas online, e uma em cada dez pessoas usa a mesma senha em todas as contas online. Se uma senha for descoberta, elas correm o risco de ter todas as contas invadidas e exploradas.

Além disso, os usuários não criam senhas fortes o suficiente para protegê-los de invasões e extorsões. Apenas metade (47%) deles usa combinações de letras maiúsculas e minúsculas nas senhas, e dois terços (64%) usam uma mistura de letras e números. Isso acontece porque os usuários acreditam que apenas que suas contas em bancos online (51%), de e-mail (39%) e em lojas virtuais (37%) precisam de senhas fortes.

O estudo também mostra que os usuários não cuidam muito bem de suas senhas, pois as compartilham com outras pessoas e utilizam métodos inseguros para lembrar-se delas. Quase um terço (28%) deles já compartilhou uma senha com um familiar próximo, e um décimo (11%) compartilhou uma senha com amigos, o que torna possível o vazamento não intencional das senhas. Mais de um quinto (22%) dos usuários também admitiu que anota as senhas em um caderno para não as esquecer. Mesmo que a senha seja forte, isso deixa o usuário vulnerável, pois outras pessoas podem vê-la e utilizá-la.