Fugir dos modismos e voltar às origens são os principais meios para tirar projetos dos papel e fazê-los acontecer. Essa é a visão do empreendedor e palestrante Allan Costa, que participou do III Fórum de Administração do Sudoeste, em Palmas, neste mês de setembro.

Numa avaliação do cenário empreendedor, Costa aponta que “há muita espuma em nossa volta, com um especialista em cada esquina, com pessoas que fazem um curso de final de semana e se auto-intitula especialista”, daí a necessidade da “fuga dos modismos”, voltando a meios tradicionais de se fazer negócios.

Salienta que a tecnologia é importante no mundo dos negócios, mas reforça que “o que faz negócios de sucesso é a cabeça do empreendedor e a forma que ele consegue transformar uma ideia em valor do que é entregue para o cliente”. Ao citar termos e tendências da área tecnológica que são amplamente discutidos em diversos setores, lembra que “na essência, inovação de verdade é resolver o problema das pessoas”.

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Inovação e tecnologia

Ao tratar desses dois temas, Costa aponta que é um equívoco comum pensar em inovação como sinônimo de tecnologia. “A inovação pode até ser impulsionada pela tecnologia, mas não depende dela”, considera, pontuando como exemplo, a inovação em meios produtivos, apenas observando as necessidades dos clientes.

Empreendedorismo na crise

Avalia que o primeiro passo “é parar de usar a crise como muleta”. Aponta que os últimos quatro anos foram os “piores em termos de crise econômica”, porém, “algumas empresas, nesse período, deram muito certo e outras ficaram pelo caminho”, ressaltando que o que fez diferença foram a mentalidade e a atitude dos empreendedores.

Fomento tecnológico no setor público

Com uma sólida carreira na iniciativa privada, Costa foi convidado pelo governador do Paraná a assumir a presidência da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná), onde permaneceu por oito meses.

Sobre esse período e os desafios de fomentar o desenvolvimento tecnológico em meio à burocracia estatal, ele afirma que foi um “desafio heroico”. Entretanto, apesar das dificuldades, aponta que o pensamento popular a respeito do funcionalismo público, é errôneo, diante da equipe de trabalho com a qual atuou no período em que esteve na companhia, destacando o desenvolvimento de aplicativos voltados à população e outros serviços realizados durante a sua gestão.

Citando o exemplo da Estônia, considerado o país mais digital do mundo, Costa aponta que o futuro é a oferta de serviços estatais através da Internet, diante da escassez de recursos do Estado. “O uso inteligente da tecnologia permite que você entregue à população serviços dos quais ela necessita, por um custo muito inferior”, considera.

Tecnologia x Mercado de trabalho

Sobre o medo do desemprego diante do avanço tecnológico, Costa rebate esse pensamento, salientando que a tecnologia “não toma empregos”, mas “exige a requalificação das pessoas”.

Destaca que o ser humano “não foi feito para fazer atividades repetitivas, que podem ser feitas por máquinas, mas existem tarefas que só humanos podem fazer”, daí a importância das instituições de apoio e dos governos na criação de oportunidades de qualificação.