Superintendente da Sanepar detalha entraves em obras de saneamento em Palmas
De acordo com a companhia, atualmente existem cerca de R$ 45 milhões em obras contratadas e paralisadas no município.
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O superintendente da Sanepar para a região Sudoeste, Marcio Luis de Souza, participou da sessão da Câmara de Vereadores de Palmas na última segunda-feira (18), para apresentar esclarecimentos sobre problemas relacionados ao abastecimento de água e ao saneamento básico no município. Durante a explanação, ele destacou principalmente os entraves envolvendo a construção da nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), obra considerada fundamental para a expansão da rede de coleta e tratamento de esgoto da cidade.
Segundo o superintendente, Palmas já possui mais de 80% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto, mas o avanço do sistema está comprometido pela paralisação da obra da nova estação. De acordo com a companhia, atualmente existem cerca de R$ 45 milhões em obras contratadas e paralisadas no município. O pacote inclui a nova ETE, redes coletoras, elevatórias e interceptores. Ouça a entrevista no player abaixo:
A paralisação ocorre em função de questionamentos envolvendo órgãos federais, especialmente o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ministério Público Federal e discussões relacionadas a áreas de interesse quilombola.
O superintendente explicou que, durante o início das obras, em 2025, foram encontrados materiais que poderiam ter relevância arqueológica. A própria Sanepar comunicou o IPHAN e suspendeu os trabalhos para realização de estudos especializados. Segundo ele, o levantamento arqueológico foi concluído e apontou que os materiais encontrados não possuem relevância histórica.
A discussão também envolve uma área reivindicada por comunidades quilombolas no município. Embora ainda não exista demarcação oficial, a legislação federal exige consulta e diálogo com comunidades tradicionais antes da execução de empreendimentos em áreas de interesse. Souza afirmou que a aprovação inicial das lideranças comunitárias ocorreu ainda em 2022, quando o local da obra foi definido. Porém, a companhia tenta promover novas reuniões com as comunidades desde 2025, mas os encontros não têm acontecido.
O representante da Sanepar reforçou que a atual estrutura de tratamento de esgoto de Palmas já opera próxima do limite e não consegue expandir a rede coletora, sem uma nova estação.
Outro ponto abordado foi o abastecimento de água. O superintendente explicou que os questionamentos envolvendo a estação de esgoto também poderiam afetar o projeto de um novo sistema de captação de água, com estudos para implantação no Rio Bandeira.
Diante disso, o projeto foi descontinuado e a Sanepar agora volta suas atenções à perfuração de um poço no Aquífero Guarani. O projeto já está em fase de licitação e prevê uma perfuração de mais de 1,2 mil metros de profundidade.
O Departamento de Jornalismo da Rádio Club encaminhou mensagens a lideranças das comunidades quilombolas Adelaide Maria Trindade Batista e Castorina da Conceição ainda na manhã de ontem, mas até agora não houve qualquer tipo de resposta. Não foi possível localizar contato da liderança da comunidade Tobias Ferreira. O espaço permanece à disposição.
Sobre o assunto, o assessor para conflitos fundiários da Superintendência Geral de Diálogos e Interação Social do Governo do Paraná, Roland Rutyna, afirmou que as lideranças quilombolas não se recusam a conversar sobre o empreendimento, mas condicionam a realização das reuniões à participação de outras instituições envolvidas no processo.
Segundo Rutyna, a intermediação começou após solicitação da Sanepar e desde então, já foram realizadas reuniões e conversas com lideranças quilombolas, Ministério Público, Defensoria Pública, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e outros órgãos ligados ao caso. Porém, a principal dificuldade tem sido reunir todos os envolvidos em uma mesma agenda. Ouça a entrevista no player abaixo:
Rutyna afirmou ainda que a intenção é que a reunião ocorra em Palmas, possibilitando a participação das lideranças das comunidades quilombolas e das demais partes envolvidas. Durante a entrevista, ele afirmou que, atualmente, as lideranças quilombolas demonstram posicionamento contrário à continuidade da obra. Apesar disso, ele destacou que as comunidades não descartam novas conversas e reivindicam mais informações técnicas e jurídicas antes de qualquer definição.