Se desenhadas, que forma teriam as ideias transformadoras, aquelas ideias potentes que resolvem grandes desafios? Se pudéssemos desenhar o contorno destas ideias – as que causam impacto porque solucionam grandes problemas – que formato teriam? Digamos que, por um método qualquer, fôssemos capazes de esboçar um desenho ou fórmula que capturasse a potência de cada uma destas ideias e, com bastante papel e tinta, apresentássemos a figura ou equação que sintetizasse a energia transformadora destas ideias, que formato veríamos? Faça o exercício: escolha uma grande ideia e tente imaginá-la como um desenho ou fórmula.

Podemos arriscar palpites: talvez estas ideias transformadoras, quando escritas, formem desenhos complexos em dimensões enormes. Muitos lados e ângulos seriam necessários para capturar e visualizar suas potências. Ou, fórmulas complexas com muitas variáveis e símbolos se desenrolando ao infinito.

Antes de prosseguir neste exercício imaginário vamos refletir: esta é boa maneira de responder, ou seja, as soluções transformadoras para desafios que enfrentamos somente podem ser obtidas com auxílio da complexidade? Quanto teríamos avançado, como espécie, se as respostas complexas fossem as únicas permitidas? E mesmo que pudéssemos avançar, quanto tempo levaríamos para chegar onde chegamos (a despeito dos problemas que ainda temos para resolver)?

Por outro lado, temos bons exemplos ao caminhar na direção contrária. Acompanhe. Você conhece a equação da física de equivalência matéria/energia: E = mc² . Einstein a desenvolveu e não é difícil encontrá-la estampando cadernos e camisetas. Mesmo parcialmente, muitos entendem seu significado: descreve a relação da transformação da massa de um objeto em energia e vice-versa e a imagem lembrada é a devastadora explosão atômica. O impacto que esta ideia produziu no mundo é gigantesco. Mas o ponto não é esse. O ponto aqui é o que está no lado oposto da complexidade. Como capturar a potência de uma ideia transformadora e obter resultados?

 

Poucas foram as grandes ideias, destas que transformaram o mundo, que primaram pela complexidade. Veja, são dez mandamentos do Velho Testamento, não são 39 ou 75. Os 10 cabem em meia folha e lançaram parte do mundo ocidental em nova era. Atualizados no Novo Testamento, 10 mandamentos viraram 2, que podem ser escritos no rodapé de página, e lançaram uma parte ainda maior da civilização ocidental em outra nova era. A fórmula de Einstein tem somente 2 variáveis, energia “E” e massa “M” (“c” é velocidade da luz, não é uma variável). Pode ser estampada numa moeda e, por sua vez, lançou o planeta inteiro em nova era. Qual a lição?

Simplicidade. É a simplicidade que captura a potência das ideias, estas que você precisa para resolver desafios. Seja onde for, a complexidade atrapalha mais que ajuda. É difícil explicar, é difícil entender coisas desnecessariamente complexas. Por outro lado, a simplicidade captura potência transformadora das ideias. Entendidas e bem realizadas, são estas ideias, as simples, que movem o mundo. Este é o grande desafio – reduzir a complexidade – mas não se engane: só se consegue a simplicidade através de muito, muito trabalho. Simples não quer dizer fácil.

No próximo artigo, veremos como descomplicar uma parte da vida – o trabalho.