Há 600 anos houve um confronto épico entre franceses e ingleses, a Batalha de Azyncourt, quando, enfrentando exército 5 vezes maior, bem treinado e equipado, o rei inglês liderou uma vitória sensacional ao derrotar os franceses em poucas horas e perder somente um punhado de homens. Quase 200 anos depois, Shakespeare dramatiza esta batalha na peça ‘Henrique V’ e faz do discurso do rei, vésperas do confronto, ponto alto do seu drama. O lamento do seu primo sobre a falta de homens para equilibrar um pouco a enorme diferença dos dois exércitos é a deixa para Henrique falar o ‘discurso de São Crispim’ e, entre frases potentes, dizer:

‘Eu não perderia uma honra tão grande ainda que um só homem fosse dividi-la comigo, porque espero o melhor.’

‘Porque espero o melhor’. Essa vida de empresas que temos não é do teatro e nem das guerras e nossos desafios não tem grandezas épicas – a crise atual é grave mas está longe de provocar devastações sangrentas e mortais. Não menos, alguns desafios tem importância central. Sempre pergunto nas palestras que apresento, para líderes e empresários, sobre a satisfação com suas equipes e a resposta demonstra que melhorar o desempenho é versão diluída da Batalha de Azyncourt de qualquer empresa.

O empresário ou gestor tolerante com desempenhos medianos perdeu a batalha. O faturamento será menor, os lucros serão menores, o crescimento será menor. O que fazer para sair vitorioso?

Nao muito, a lista fundamental não é longa. Dê foco em três perguntas:

  • *Quais são as vitórias? As metas devem ser claras, concretas e desafiadoras. De pé diante dos soldados, Henrique fala: 'Muito acaba esquecido. Mas cada um de nós se lembrará, com orgulho, das proezas que realizou neste dia'. Aquelas metas conceituais - tipo "trabalhamos com o objetivo de servir nossos clientes" - são bem vindas mas o foco precisa ser ajustado para as realizações não serem esquecidas. Como saber que um objetivo como esse foi alcançado? Qualquer tipo de negócio tem seus indicadores para sinalizar quando batalhas são vencidas. No seu, quais são? Encontre-os e comece a usá-los imediatamente.
  • *Quais são as pessoas? No discurso, Henrique diz 'que aquele que não tiver estômago para lutar, deixem ir: lhe daremos o dinheiro da passagem de volta'. Não se preocupe apenas em contratar - ajuste o foco. 'O que’ e ‘como’ sem o ‘quem' está condenado ao fracasso - experiência anterior é importante, claro, mas ninguém não quer um soldado experiente e covarde do seu lado. Revise e afine o processo seletivo, uma ou duas vezes por ano, para contratar pessoas, não currículos. E não demore para demitir os covardes.
  • *Você está presente? É aqui que você entra. As palavras finais do discurso de Henrique, um rei: 'Nós poucos, nós poucos e felizes, nós, bando de irmãos; pois quem hoje derramar seu sangue comigo, será meu irmão.' Elimine as camadas que isolam você da base da empresa. Nunca passe por cima das lideranças intermediárias mas lembre que nenhum grande líder deixou de estar presente, em contato direto com suas tropas.

Para tocar o dia a dia, uma equipe é suficiente. Para superar crises, colocar a empresa em outro nível de resultados, é necessário uma equipe de alto desempenho. É obrigatório esperar o melhor. Como fez Henrique.