Mesmo com chuva, que atrapalhou a presença de maior público, foi realizada na noite de ontem(15) a Audiência que tratou da Segurança Publica na Comarca de Palmas, sul do Paraná. Como ponto central  da pauta, a situação  da Delegacia  e a  falta de profissionais e viaturas na Polícia Civil.

O evento servirá de base para a busca de soluções urgentes para o setor junto aos órgãos do governo do estado e até mesmo de ações por parte do Ministério Público, incluindo a possibilidade de uma Ação Civil Pública.

Do ato proposto pelo Ministério Publico da Comarca, através das Promotoras Caroline Chiamuleira e Juliana Botomé, no Salão Nobre do CPEA, participaram  lideranças políticas  e sociais de Palmas e Coronel Domingos Soares, representantes de várias entidades como OAB; Conselho de Segurança de Palmas; Polícia Civil, Polícia Militar, Poder Judiciário, Conselheiros Tutelares, de ambos os municípios, estudantes e população em geral.

Durante mais de duas horas foram feitas manifestações através dos representantes das entidades, bem como do publico presente, com reivindicações,  sugestões e cobranças  para  área de segurança nos dois municípios.Na ocasião foi apresentado o quadro da estrutura da polícia judiciária, caracterizado como extremamente precário.

Já em relação a estrutura da Polícia Militar, apesar de algumas carências, a avaliação é que melhorou consideravelmente a partir da elevação do pelotão à condição de Companhia, a partir de 2011, onde houve um reforço do policiamento e viaturas, com mais equipes de RPA nas ruas, bem como, implementados serviços especiais de ROTAM, P2, Patrulha Escolar  e  canil, dando uma resposta satisfatória à sociedade n o combate a criminalidade.

Em relação a situação Polícia Civil, a Delegada Vera Lucia Tapiê, informou que  atualmente há apenas dois investigadores e dois escrivães para dar andamento a mais de 900 inquéritos. Conforme ela, seriam necessários pelo menos 4 escrivães e oito investigadores. Outro ponto diz respeito a falta de viaturas com condições de trabalho. Atualmente há  4 carros, sendo que o mais novo é  um gol descaracterizado do ano de 2007  e que já está com 188 mil quilômetros.  Uma Parati, ano 2004, está com 274 mil quilômetros. Uma camionete Nissan Frontier  e uma outra Parati, ambos com aproximadamente 10 anos de uso, ultrapassaram  os 170 mil quilômetros e estão encostados.

No caso de Coronel Domingos Soares, o município não conta com delegacia de polícia e todo e qualquer Boletim necessita ser feito  em  Palmas. Foi reivindicado que alguns documentos possam ser feitos pelos Policiais Militares do Destacamento local, como forma de agilizar os procedimentos e desafogar os trabalhos na DP de Palmas.

Na oportunidade foi discutida a  possibilidade de  elevação da Polícia Civil local à condição de Subdivisão Policial, o que em tese, garantia maior estrutura humana e de materiais para o desenvolvimentos dos trabalhos. Outra proposta apresentada foi de que Palmas possa  ter um  presídio para os  100 presos que atualmente estão na delegacia sob os cuidados de investigadores, que com isso, tem diminuído ainda mais o seu tempo para as suas funções específicas. Foi informado que atualmente há auxiliares de carceragem da SEJU(Secretaria de Justiça), mas estes não podem fazer remoção de presos sem a presença de um policial.

Durante a audiência, algumas  medidas  foram anunciadas, através do Capitão Zocchi, coordenador do Serviço de Inteligência do 3º BPM,  de que estaria conversando com o comandante da área, Tenente Agnaldo César Pereira, para que  os policiais militares  (P2) de forma emergencial e temporária, fossem colocados à disposição da polícia civil local.Outra informação foi repassada por fontes ligadas ao deputado, Valdir Rossoni, de que Palmas deverá receber nos próximos dias uma viatura Amarok, zero KM para a Polícia Civil da Comarca.

A juiza, Camila Scheraiber e   as  promotoras do MP,  defenderam o urgente aparelhamento da polícia civil para que também o Ministério Público e o Poder Judiciário possam realizar seus trabalhos dando uma resposta para a sociedade, através da  punição  aos criminosos.

Argumentaram que a falta de estrutura na policia judiciária  pode comprometer todo o andamento de um processo, muitas vezes, levando a absolvição de criminosos por falta de provas. Além disso, o acúmulo de serviços  pode  desencadear a  a prescrição dos crimes, gerando nas duas situações, a sensação de que quem comete crimes não é punido.