Vítimas do confronto foram atendidas no Pronto Socorro de Quedas. Foto: Portal Click 3
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Vítimas do confronto foram atendidas no Pronto Socorro de Quedas. Foto: Portal Click 3

O Clima em Quedas do Iguaçu, no centro-oeste do Estado, continua tenso. A situação, que já era complicada, se agravou na tarde desta quinta-feira (07) depois que dois sem-terra foram mortos e outros seis ficaram feridos num confronto com a Polícia Militar Ambiental.

A situação ocorreu quando policiais entraram na área invadida para auxiliar brigadistas da Araupel no combate a um incêndio. Segundo a PM, a equipe teria sido atacada pelos Sem Terra e na reação aconteceram as mortes.  Embora a polícia tenha apresentado essa versão, o MST contrapôs, afirmando que não existiu incêndio e que os trabalhadores sem-terra teriam sido vítimas de uma emboscada envolvendo policiais militares e seguranças da Araupel. O acampamento onde aconteceu o fato tem 2,5 mil famílias acampadas, ao todo 7 mil pessoas.

Nota da Sesc

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), a equipe da ambiental estava com uma equipe da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) em uma área chamada Fazendinha verificando um foco de incêndio. Ao deslocar para o local, os policiais foram interceptados por mais de 20 integrantes do MST que reagiram a abordagem com disparos de arma de fogo, ainda conforme a Sesp.

“Os policiais se deslocaram até a área onde foi registrado o incêndio, pois houve um crime ambiental, e chegando lá [na área] a Polícia Ambiental e a Rotam foram recebidas em um bloqueio feito pelo MST, onde vieram elementos do movimento e começaram a efetuar disparos contra a equipe. De imediato, a equipe se protegeu”, detalha o comandante do 5° Comando Regional de Cascavel, tenente-coronel Washington Lee Abe.
Segundo a PM, uma espingarda e uma pistola foram apreendidas com os sem-terra. Ainda não há informações de policiais feridos.

Efetivo da Polícia Militar foi reforçado para garantir segurança da população. Foto: Andre Lessei/TV Sudoeste
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Efetivo da Polícia Militar foi reforçado para garantir segurança da população. Foto: Andre Lessei/TV Sudoeste

A PM enviou equipes para o local para resgatar as vítimas e um helicóptero para remover os feridos. Além disso, policiais militares e civis foram para a região com o objetivo de reforçar a segurança, já que há uma briga judicial envolvendo o MST e a empresa Araupel.

A Polícia Civil já abriu um inquérito para apurar os fatos. Ainda na tarde desta quinta-feira (07), o delegado chefe da 15ª SDP de Cascavel, Adriano Chofhi ouviu policiais, testemunhas e os socorristas do SAMU que prestaram atendimento às vítimas.

O jornalista da TV Sudoeste, André Lessei, está em Quedas do Iguaçu desde a noite de quinta-feira acompanhando a movimentação. Na manhã desta sexta-feira (08), em entrevista à Rádio Onda Sul FM, contou que a situação é bastante complicada. Segundo ele, a população está bastante apreensiva com os acontecimentos das últimas horas e espera que as autoridades tomem providencias. Moradores aguardam a reintegração de posse da área invadida, uma vez que a Araupel é responsável pela maioria dos empregos gerados em Quedas do Iguaçu e se houver o fechamento da empresa, a cidade sofrerá um grande impacto econômico.

Ouça no link abaixo a entrevista, na íntegra…

Equipes da Ambiental, CHOQUE, Rotam e BPFron ajudam na segurança em Quedas. Foto: Charles Civa
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Equipes da Ambiental, CHOQUE, Rotam e BPFron ajudam na segurança em Quedas. Foto: Charles Civa

O MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), através da direção estadual, emitiu uma nota reafirmando que o confronto foi provocado pela polícia, inclusive exige do governo do Estado, a retirada de todas as tropas de segurança do local.

Nota do MST

Policia Militar e pistoleiros atacam famílias Sem Terra e assassinam dois trabalhadores do MST, no Paraná

Na tarde de quinta-feira (07/04), famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno, no município de Quedas do Iguaçu, região centro do Paraná, foram vitimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar do Estado e por seguranças contratados pela empresa. O acampamento, cuja ocupação teve início em maio de 2015, possui aproximadamente 1,5 mil famílias.

O acampamento está localizado no imóvel Rio das Cobras que foi grilado pela empresa Araupel. A Justiça Federal declarou, em função da grilagem, que as terras são publicas e pertencem a União, e devem ser destinados para a reforma agrária.

A emboscada ocorreu enquanto aproximadamente 25 trabalhadores Sem Terra circulavam de caminhonete, há 6 km do acampamento, dentro do perímetro da área decretada pública pela justiça, quando foram surpreendidos pelos policias e seguranças entrincheirados. Estes alvejaram o veiculo onde se encontravam os Sem Terra, e nesse momento, para se proteger, os trabalhadores correm pelo mato em direção ao acampamento, na tentativa de fugir dos disparos que não cessaram.

No ataque da PM dois Sem Terra foram assassinados, sete estão feridos- o número exato ainda não foi confirmado – e dois foram detidos para depor e já foram liberados. O local onde ocorreu a emboscada foi isolado pela polícia militar, impedindo a aproximação de familiares das vitimas, advogados e imprensa, ameaçando as pessoas que se aproximavam. Tal atitude permite à policia destruir provas que podem esclarecer o grave fato.

A Policia Militar criou um clima de terror na cidade de Quedas do Iguaçu, tomando as ruas, cercando a delegacia e os hospitais de Quedas do Iguaçu e Cascavel para onde foram levados os feridos, impedindo qualquer contato das vitimas com familiares, advogados e imprensa.

O ataque da PM aos Sem Terra, adentrando em área federal, aconteceu após a visita, no dia 01 de abril, ao município de Quedas do Iguaçu, do Secretario Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, do Secretario de Segurança Publica do Paraná, Wagner Mesquita, e representantes das cúpulas da policia do Paraná. Que determinaram o envio de um contingente de mais de 60 PMs para Quedas do Iguaçu.

O MST está na região há quase 20 anos, e sempre atuou de forma organizada e pacifica para    que houvesse o avanço da reforma agrária, reivindicando que a terra cumpra a sua função social. Só no grande latifundiário da Araupel foram assentadas mais de 3 mil famílias.

O MST exige:

– Imediata investigação, prisão dos policias e seguranças, e punição de todos os responsáveis – executores e mandantes- pelo crime cometido contra os trabalhadores rurais Sem Terra.

– O afastamento imediato da policia militar e a retirada da segurança privada contratada pela Araupel.

– Garantia de segurança e proteção das vidas de todos os trabalhadores acampados do Movimento na região.

– Que todas as áreas griladas pela empresa Araupel sejam destinadas para Reforma Agrária, assentando as famílias acampadas.

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

Direção Estadual do MST

Equipe do BOPE também já está em Quedas do Iguaçu. Foto: André Lessei/ Tv Sudoeste
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Equipe do BOPE também já está em Quedas do Iguaçu. Foto: André Lessei/ Tv Sudoeste