O Diretor do Hospital Santa Pelizzari reafirmou publicamente na manhã desta terça-feira(25) a disposição de suspender o atendimento a pacientes do SUS – Sistema Único de Saúde a partir de maio do próximo ano.  A decisão é motivada pelo elevado prejuízo financeiro que a instituição vem acumulando mensalmente. A ala do Sistema Único de Saúde (SUS) contém 45 novos leitos, destes quatro psiquiátricos femininos e masculinos.

Durante o Programa Dinâmica 1050 da Rádio Club AM o médico, Ademir Pelizzari, disse que a situação é desesperadora, uma vez que, a continuidade no atendimento ao SUS poderá representar a falência do único hospital do município. Explicou que atualmente acumula prejuízos mensais de aproximadamente R$ 150 mil, entre o dinheiro que o município repassa e  aquilo que o hospital gasta  com os procedimentos. O percentual da receita do hospital com os atendimentos ao SUS é de 33% , sendo que os gastos com o sistema atingem 60% dos custos.

Avaliou que é necessário um repasse de R$ 400 mil e atualmente recebe pouco mais de R$ 250 mil mensais. Disse que pelo modelo de gestão plena do SUS, a prefeitura é a responsável pelo repasse dos recursos, que atualmente são insuficientes. A situação é desesperadora e a decisão que está sendo tomada não é de agora. Se o hospital não suspender o atendimento ao SUS corre o risco de fechar as portas”, alertou.

Explicou que caso não seja encontrada uma solução a partir  de 09 de maio do ano que vem, ao findar o contrato com a prefeitura,  as pessoas terão que ir buscar atendimento médico em outros municípios “e isso é uma catástrofe para um município de 47 mil habitantes que dispõe  de um hospital altamente qualificado”.

Relatou que por várias vezes buscou entendimento com a prefeitura mas enfrenta dificuldade de diálogo com a administração na busca de uma solução para o problema. “Estou me sentindo humilhado”, frisou o médico. Outro ponto contestado  é o volume de recursos gastos pela administração  para manutenção do PAM – Pronto Atendimento Municipal, que no seu entendimento não resolve os problemas de saúde dos pacientes sendo apenas um procedimento de passagem, sendo que  a  resolução dos problemas de saúde dos pacientes acabam sendo realizados pela estrutura do hospital. “O PAM é um serviço que está gastando mais que o hospital”, disse Pelizzari. Conforme ele, se o município transferisse ao hospital o dinheiro que atualmente gasta com o pronto atendimento a situação estaria resolvida. “E existe maneiras de isso ocorrer de forma legal se se quiser resolver o problema”, disse.

Cobrou  uma ação urgente na busca de um volume recursos ou uma decisão por parte da administração para impedir que a população venha a sofrer as consequências.Esclareceu que mesmo que ocorra a suspensão do SUS em caso de risco de morte atenderá os pacientes e posteriormente mandará a conta para a prefeitura. Alertou que sua decisão não se trata de um blefe, mas espera que haja sensibilidade por parte da administração para impedir que a população seja penalizada.