Nesta quarta-feira (08), acontece em Francisco Beltrão uma programação relacionada à Semana Municipal de Incentivo ao Parto Normal e Humanizado. A programação conta com apresentação de um filme, que aborda questões sobre o parto normal e a humanização do nascimento, destaca o que é uma conduta adequada ou conduta violenta, foca nas ações dos profissionais de saúde e fala sobre as práticas que se conduzem durante o trabalho de parto e durante o nascimento.

Após o filme, será realizada a apresentação dos profissionais que atuam diretamente com o parto, destacando qual é o papel de cada um, como eles pode fazer essas práticas pautadas na humanização do nascimento. Entre eles, um ginecologista obstetra, enfermeira obstetra, uma doula – uma assistente de parto, que acompanha a gestante durante o período da gestação com foco no bem estar da mulher -, fisioterapeuta e fonoaudióloga.

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A intenção é compartilhar conhecimento, já que muitas pessoas comentem o equívoco de acreditar que parto humanizado trata-se apenas do parto em casa, na água. Parto humanizado é todo parto, pois mesmo que a mulher escolha a Cesária, por opção ou necessidade, a cirurgia deve ser humanizada, trazer conforto, atenção, para a mulher, a família e o bebê.

Pesquisas apontam que quando as mulheres engravidam, manifestam inicialmente o desejo de ter o parto normal, mas ao longo do processo da gestação, são convencidas pelo sistema, pelos médicos, pelos profissionais, a marcar uma cesariana. “As mulheres acham que elas não vão conseguir porque esse mercado acabou destituindo poder da mulher, e o movimento de humanização visa justamente mudar essa realidade e tornar a mulher protagonista do parto”, comenta a fonoaudióloga, Aline Schmatz.

Segundo ela, muitas vezes quando a mulher consegue ir até o fim e tem um parto normal, recebe muito tipo de violência, conhecida como violência obstétrica, “o parto acaba sendo doloroso, sofrido, o que causa marcas tanto físicas quanto psicológicas. Desse modo, na próxima gestação ela não vai querer um parto da mesma forma, e acaba optando por uma cesariana”.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os índices de cesáreas de uma cidade, país devem ficar em torno de 15 a 20%. Porém, o Brasil é um dos países com maior índice de cesáreas, acima de 55%, sendo que nas instituições privadas ultrapassa 88%. Em Francisco Beltrão, somente em 2018, o índice atingiu 62% de cesarianas na rede pública e na rede privada e convênios, chegou a 96%.

“Devido a esse ‘mercado das Cesáreas’, os profissionais da saúde perderam a prática da assistência ao parto normal e isso faz com que muitas vezes não consigam se atualizar sobre as boas práticas, evidências científicas, para fazer com essa mulher possa conduzir um trabalho de parto da forma melhor possível” destaca Aline.

A humanização do nascimento visa que todos os profissionais que estejam envolvidos nesse evento, tenham esse pensamento, se posicionem dessa forma e conduzam o evento do nascimento da melhor forma possível, se baseando em evidências científicas atuais, acolhendo e empoderando a mulher.

Horário: 19h00
Local: Espaço da Arte –Teatro Municipal Eunice Sartori – Rua: Octaviano Teixeira dos Santos, 1.121, Francisco Beltrão/PR.