O preocupante índice de mortalidade  infantil motivou uma reunião essa semana em Palmas, sul do Paraná, quando foi apresentado que 25 crianças menores de um ano morreram durante o ano de 2013, onde foram registrados 891 nascimentos no município. O objetivo do encontro foi identificar os fatores que vem contribuindo para o agravamento do  quadro.

No ano passado o índice alcançou 28,05 óbitos por mil nascidos vivos, o dobro da média dos 15 municípios da regional, 14,6; da média estadual, 11,7 ; e também  acima da média nacional de 13 óbitos por mil nascidos vivos.

Participaram da reunião a Superintendente de Políticas de Atenção Primária em Saúde da Secretaria Estadual(SESA), Márcia Cecília Huçulak; membros da 7º Regional de Saúde, Nestor Werner Júnior;(diretor) e Carla Belmont Archetti; presidente do Conselho Municipal de Saúde de Palmas, Célio Schernoski Ribas; Diretor de Saúde de Palmas, Aldemar Osternack Pedroso; médicos e equipes de enfermagem do setor de saúde.

Na oportunidade o presidente do Comitê de Mortalidade Infantil da região, Mauro Mathia, apresentou os gráficos do coeficiente da mortalidade em Palmas, que em 2006 o índice foi de 20,66; 17,79 em 2007; 23,50, 2008; 11,31, 2009; 8,40 em 2010; 11,65 2011; e 17,10 em 2012, com um aumento de 67% na taxa em 2013.

Por outro aspecto destacou Mauro Mathia que foi apurado que 81% dos óbitos registrados podiam ter sido evitados. Também foram apresentadas algumas características sócio-econômicas das gestantes e as causas das mortes registradas.

Após as explanações, a superintendente da SESA explicou que em sua visita a Palmas percebeu que o problema da mortalidade infantil não é ocasionado pela falta de estrutura material e humana no setor público local. Conforme ela é preciso adotar outro modelo de gestão de atenção primária concentrando todos os esforços das equipes. “É necessário que as Agentes Comuntárias de Saúde, concentrem seus trabalhos nas regiões onde há maior índice de mortalidade. “Não é necessário ter agente comunitária de saúde no centro da cidade”, exemplificou Huçulak.

Também sugeriu que como o município não tem uma coordenação atenção básica, é o próprio Diretor de Saúde  que deve assumir essa função para o direcionamento das ações. Conforme ela, se forem adotadas medidas pontuais e de foco, Palmas poderá encerrar o ano com um coeficiente abaixo de 8 óbitos, melhor resultado já obtido desde que começou a ser medida mortalidade  infantil no Brasil.

Outra sugestão apresentada, é que deverá ser organizado um sistema para que as agentes de saúde e equipes de saúde básica façam a busca das gestantes para a realização do pré-natal mensalmente e após o nascimento do bebê realizem um acompanhamento diário da criança até determinada fase de crescimento. “Se as mães não vem para o pré-natal ou trazem as crianças para acompanhamento após o nascimento, são as equipes que tem que ir atrás delas”, alertou a superintende. Informou que nos municípios que apresentavam situação semelhante foram adotados os procedimentos sugeridos em Palmas e o resultado foi positivo.

No próximo dia 18, estará sendo iniciado um treinamento de orientação a todas as equipes que atuam no município para que sejam iniciadas as atividades de forma concentrada no combate a mortalidade.