Criado há mais de 60 anos, o Hospital Vida e Saúde de São João, sudoeste do Paraná, vêm gerando preocupações e indecisão. Com os altos gastos mensais que subiram rapidamente de 2012 até o momento, a permanência da unidade continuar funcionando está em dúvida, com isso, fica uma única pergunta, o trabalho continua ou o hospital fecha?

A unidade hospitalar está localizada em frente à prefeitura e no ano de 2012, foi criado o Instituto de Saúde, cujo objetivo era gerenciar a estrutura. Quando da criação da entidade era estimado o atendimento de 2.500 pessoas por ano, hoje o número chega a 1.000 atendimentos mês. Com isso os valores gastos para manter a unidade funcionando subiram mais de 80% em dois anos.

Em 2012 foram repassados para manter o hospital R$ 937.750,79. Em 2013, R$ 1.011.044,95. E neste ano o município deve ter mais uma alta nos gastos, pois o último repasse mensal chegou a R$ 180 mil no mês de outubro.

“Com essa quantidade da demanda que aumentou muito os serviços, também aumenta o atendimento. Hoje o instituto não pode cobrar nada em forma de atendimento, o município está bancando tudo. Além disso, tem o faturamento SUS que vária, tem mês que fatura R$ 8 mil e tem mês que não fatura quase nada”. Comenta o prefeito de São João, Altair José Gasparetto (Vadeco).

A proposta inicial da Administração Municipal era adquirir o prédio e posteriormente reforma-lo. Mas os valores ultrapassam R$ 2.000.000,00. Outra possibilidade que está sendo analisada com as instituições é transformar gradativamente o hospital em Unidade de Pronto Atendimento 24 horas.

Segundo o prefeito, “esse aumento que tem hoje, chegando com 29% de gasto em saúde é que nós precisamos reduzir nossos custos e poder manter a saúde”. Uma comissão foi criada para acompanhar os debates e analisar as propostas sobre qual rumo deve tomar a saúde pública de São João.

 

CONTRAPONTO

Contrário a proposta inicial de fechar a unidade hospitalar, o Vereador Joelcio Correa, opositor na Câmara Municipal de Vereadores, diz que “são 60 anos que existe esse hospital. O primeiro prefeito que veio neste município lutou para abrir este hospital, manter aberto e todos os prefeitos que passaram lutaram para manter”.

O legislador questiona a forma de atendimento que terá caso seja criado um Pronto Atendimento, “a população não compreende como vai atender as pessoas, vai continuar salvando vidas das que entram em situação grave. Essas pessoas vão ficar sem atendimento médico, porque o PA [Pronto Atendimento] ele faz o primeiro atendimento, mas ele depende de um encaminhamento para um município, outro hospital. Portanto o PA não pode fazer uma cirurgia de emergência ou parto. No caso da pessoa ser transferida para outro município, ai fica a pergunta, é garantido que terá vagas nos outros hospitais”.

Uma manifestação pacifica aconteceu na tarde da última sexta-feira (31) contra o fechamento do hospital. O ato reuniu algumas pessoas, faixas com frases “Diga Não ao Fechamento do Hospital São João” foram penduradas na frente do prédio.

 

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Para encontrar um rumo na saúde, será realizada no dia 09 de dezembro, uma audiência pública. Marcada para as 19h30 na Casa da Cultura, a população poderá ficar a par das despesas e situação do hospital. Além de poder opinar sobre o fechamento ou não da unidade.

“Queremos discutir com a nossa população, que realmente vejam a real situação. Não adianta fazer manifestação se não tem conhecimento da situação. Para nós é importante ter o conhecimento do que vem acontecendo e estar participando, opinando”. Salienta o prefeito.