Com os avanços na tecnologia, medicina e outras áreas, os brasileiros têm alcançado um dos principais objetivos de vida da maioria das pessoas: viver mais e melhor. Atualmente, a expectativa de vida dos brasileiros já supera os 75 anos. No entanto, o envelhecimento traz os seus desafios. Dentre eles, a diabetes é um mal cada vez mais comum na terceira idade.

Essa síndrome não é uma decorrência do avanço da idade, mas tem prevalecido entre as pessoas que já ultrapassaram os 65 anos. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 20% dos indivíduos acima dessa idade têm diabetes.

A maior preocupação é que quando não tratada adequadamente, a diabetes pode afetar severamente a saúde num período que já inspira maiores cuidados. A alimentação é o ponto de maior cuidado. Os diabéticos devem seguir uma dieta visando o controle glicêmico para evitar as temidas complicações da síndrome. Contudo, durante a terceira idade, esses cuidados devem ser redobrados, uma vez que necessidades nutricionais costumam ser maiores. Algumas medidas devem ser adotadas para garantir que o cardápio do idoso seja nutritivo e, ao mesmo tempo, assegure o controle glicêmico e uma convivência tranquila com a doença.

Na terceira idade, morbidades próprias do envelhecimento e a manifestação de doenças crônicas podem ser agravadas pela diabetes descompensada, tornando o indivíduo ainda mais vulnerável. Para que o diabetes não se torne um vilão e comprometa a saúde do individuo, é essencial manter a glicemia sob controle, ou seja, evitar que a concentração de açúcar no sangue suba ou caia excessivamente. Episódios de hiperglicemia podem desencadear complicações mais severas e até mesmo colocar a vida do diabético em risco, bem como a hipoglicemia.

Para isso manter esse equilíbrio, é importante que os diabéticos, bem como familiares e cuidadores responsáveis pelas refeições do paciente tenham conhecimento a respeito dos valores glicêmicos de determinados alimentos, pois, além de facilitar o controle da dieta, esse índice auxilia na diversificação do cardápio e até mesmo na escolha dos alimentos que mais agradam o idoso.

Dicas de alimentos e substituições inteligentes

Muitas vezes devido às dificuldades de mastigação, idosos costumam optar por alimentos mais macios ou de cocção mais prolongada. Contudo, é importante atentar que alguns carboidratos, especialmente os tubérculos, possuem um índice glicêmico elevado. Neste caso, é possível fazer substituições mais adequadas como, por exemplo, trocar a batata inglesa, que possui um índice elevado, por carboidratos de menor valor glicêmico, como o inhame e a cenoura. Outra dica válida para reduzir o impacto desses alimentos sob a glicemia é combiná-los com alimentos ricos em fibra, como cereais e grãos integrais, pois eles ajudam a retardar a liberação de açúcar no organismo;

Frutas: Extremamente importantes para a dieta, frutas são ricas em vitaminas e sais minerais, portanto devem fazer parte do cardápio também na terceira idade. Alternativas como a maçã, a ameixa e o pêssego são mais adequadas para uma dieta de controle glicêmico, pois possuem baixo Indice Glicêmico, ao contrário de frutas como a banana, o mamão papaia e a melancia. Outra dica é, sempre que possível, comer as frutas com a casca, pois as fibras presentes nessa estrutura retardam a absorção do alimento no organismo.

Cereais e Massas: substituir os cereais e massas refinadas pelas versões integrais também é essencial para o controle glicêmico. Por serem ricos em fibras, esses alimentos são digeridos mais lentamente, propiciando uma liberação de glicose mais prolongada. Portanto, é recomendado trocar o pão francês, assim como as massas brancas e o arroz tradicional pelas opções integrais desses alimentos.

Controlar a diabetes não significa restringir radicalmente a oferta de alimentos, mas controlar a ingestão de açúcares. Uma das principais preocupações em relação aos idosos é garantir que a oferta nutricional se mantenha adequada e, ao mesmo tempo, propicie o controle glicêmico. A redução deliberada do consumo de determinados alimentos, seja pela dificuldade de mastigação e digestão, seja pela ideia de que esses alimentos vão elevar o diabetes, podem comprometer a oferta de nutrientes e, consequentemente, a saúde do idoso.

Sendo assim, é preciso atentar para questões como a aceitação de carboidratos, proteínas e outros nutrientes que garantam o bom funcionamento do organismo. As proteínas, por exemplo, muitas vezes são deixadas de lado pela dificuldade de mastigação. Contudo, idosos precisam de um aporte maior desse nutriente em virtude da perda natural de massa que acontece com o envelhecimento. Essa situação pode ser agravada tanto pela diabetes, quanto pela dieta insuficiente, levando a perda de peso acentuada. Com a fragilidade aumentada, o idoso fica mais vulnerável à quedas e lesões.

Um dos maiores temores daqueles que são diagnosticados com diabetes é a ideia de que a alimentação não será tão prazerosa quanto outrora. Porém, quando bem orientada, a dieta de controle glicêmico pode ser tão saborosa quanto à de um indivíduo que não convive com a doença. Se seguida adequadamente, o paciente pode, inclusive, abrir concessões vez ou outra para os pequenos prazeres que já não fazem parte do seu cardápio cotidiano.