Neste domingo (31) é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, data em que diversas ações são difundidas como forma de combater o vício. Há um certo tempo, o Brasil tem evoluído sobre esse ponto, com restrições para o cigarro em ambiente coletivo, exposição dos males do vício nas próprias carteiras e outras campanhas. Porém, o número de fumantes ainda é grande. No Paraná, são registradas 12 mortes, por dia, em decorrência de doenças relacionadas ao cigarro.

Em nível mundial, 7 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência do tabaco, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, o que chama atenção é o número de mortes de fumantes passivos – aqueles que não têm o hábito do fumo, mas convivem com outros fumantes – 900 mil por ano.

Conforme o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. No mercado nacional e internacional há uma variedade de produtos derivados de tabaco que podem ser usados de várias formas: fumado/inalado, aspirado, mascado, absorvido pela mucosa oral. Todos contém nicotina, causam dependência e aumentam o risco de contrair doenças crônicas não transmissíveis.

Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention – CDC) do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, o tabagismo é responsável por cânceres como leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; pâncreas; fígado; colo do útero; cólon; reto; esôfago; rins; laringe; pulmão; boca; faringe; e estômago.

Com base nesse estudo, o Setor de Estatísticas da Rádio Club/RBJ buscou informações nas bases de dados do INCA, sobre o número de óbitos relacionados à esses tipos de cânceres em Palmas.

Os materiais levantados pela reportagem referem-se aos últimos cinco anos com dados consolidados pelo Ministério da Saúde – 2013 a 2017. Salienta-se que a pesquisa aponta os tipos de cânceres cuja principal causa é o tabagismo, não significando que a totalidade das vítimas tenham sido fumantes.

Entre 2013 e 2017, 148 palmenses foram vítimas fatais dos tipos de cânceres citados acima. Entre os homens, o câncer de pulmão foi o que registrou o maior número de mortes (17), seguido pelos cânceres de estômago (15) e esôfago (11).

O câncer de pulmão foi o que causou mais vítimas entre as mulheres, com 14 óbitos no período da pesquisa. Os cânceres de cólon e de colo do útero registraram 7 mortes cada.

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Outro fator que pode auxiliar no combate a esse vício é, além dos benefícios na saúde, também o alívio para o bolso, com redução dos gastos com cigarros e com os tratamentos de saúde.

Em Palmas, por exemplo, em 2019, os fumantes gastaram aproximadamente R$ 4,6 milhões, de acordo com o Índice de Potencial de Consumo (IPC), levantado pela IPC Marketing. A pesquisa considera os gastos com cigarros, charutos, fumo para cachimbo, fumo para cigarros e outros artigos para fumantes, como fósforos e isqueiros.

Além disso, é necessário se levar em conta o impacto econômico do tabagismo no sistema único de saúde (SUS). Segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde e outras instituições em 2017, o consumo de cigarros e outros derivados causa um prejuízo de R$ 56,9 bilhões ao Brasil a cada ano. Deste total, R$ 39,4 bilhões são com custos médicos diretos e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos, decorrentes da perda de produtividade, provocadas por morte prematura ou por incapacitação de trabalhadores.