Retirada de tarifas dos Estados Unidos não contempla compensado produzido em Palmas
Indústria palmense segue enfrentando taxações de mais de 50%. Exportações para os EUA caíram pela metade.
Economia
O anúncio do governo dos Estados Unidos de retirada de tarifas sobre produtos brasileiros não atinge a madeira compensada produzida em Palmas, Sul do Paraná, que segue sendo taxada em mais de 50% no país norte-americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump comunicou, na noite desta quinta-feira (20), a retirada da tarifa adicional de 40% aplicada sobre diversos produtos exportados pelo Brasil, como café, carne bovina, frutas, insumos agrícolas e equipamentos aeronáuticos. Porém, a decisão não trouxe alívio para o compensado palmense, que não foi incluído na lista de desonerações.
Com isso, o compensado produzido em Palmas continua enfrentando uma taxação total de 58% para entrar no mercado norte-americano — sendo 8% referentes às tarifas habituais e 50% adicionais que vêm sendo cobrados desde agosto deste ano.
Taxação dos Estados Unidos afeta exportações do compensado palmense
A manutenção da tarifa tem afetado o desempenho das exportações palmenses. De acordo com dados do Ministério do Comércio Exterior, no mês de outubro, Palmas exportou pouco mais de US$ 3 milhões em madeira compensada para os Estados Unidos. No mesmo mês de 2024, o valor ultrapassou US$ 6 milhões.
Em nível nacional, as exportações brasileiras de produtos madeireiros para os Estados Unidos caíram 55% nos três primeiros meses de vigência da tarifa norte-americana, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).
Tarifa dos EUA provoca queda de 55% nas exportações brasileiras de madeira
Procurada pela Rádio Club nesta sexta-feira (21), a entidade informou que não irá se manifestar sobre o novo anúncio dos Estados Unidos, pois não há reflexos para o setor, que continua sendo taxado. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) até esta publicação não havia apresentado posicionamento público a respeito do assunto.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) avalia que a decisão norte-americana de retirar a tarifa de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, é um avanço, “mas não traz alívio aos exportadores catarinenses”.
O presidente da entidade, Gilberto Seleme, pontuou que madeira e móveis seguem sobretaxados. Nessa mesma linha, o vice-presidente da Fiesc, André Odebrecht, avalia que o impacto no Estado é limitado, pois os segmentos da madeira e de móveis são importantes nas exportações, mas não foram contemplados na isenção.