• Compartilhe no Facebook

Pe. José Bosmans teve importante presença na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.

Nesta sexta-feira, 17 de abril, na Bélgica, faleceu o Pe. José Bosmans (MSC), vítima do coronavírus. Na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, Sudoeste do Paraná, o sacerdote teve importante participação em diversas paróquias e setores, principalmente em favor dos colonos na famosa revolta de 1957. Ajudou na formação de cooperativas, sindicatos, clubes de mães. Uma de suas grandes obras foi a construção do centro social na Paróquia de Ampére.

Pe. José Bosmans MSC – biografia

O Pe. José Bosmans nasceu no dia 08 de dezembro de 1927, dia da festa da Ascenção de Nossa Senhora, em Bree na Bélgica na sombra de um grande convento dos Missionários do Sagrado Coração, onde candidatos se preparavam para a vida religiosa e missionária. Sendo filho de uma família muito religiosa, sentiu logo a vocação para o sacerdócio, assim como uma irmã dele para a vida de freira. No dia 01 de setembro entrou na Escola Apostólica da Congregação em Asse, um tipo de Seminário Menor. Em 21 de setembro de 1948 emitiu os votos religiosos. Em seguida continuou os estudos de filosofia e teologia, sendo ordenado sacerdote em Louvaina no dia 06 de setembro 1953. O seu grande sonho era ser missionário no Brasil, a exemplo de outros confrades que o precederam a partir de 1948. Ele conseguiu embarcar no dia 12 de maio de 1955, chegando ao porto de Santos no dia 08 de junho do mesmo ano.

Nos primeiros meses ele ajudou os confrades em diversos lugares no Rio Grande do Sul, como Santa Bárbara do Sul e Panambi. Mas logo houve a decisão de os padres se concentraram mais na então Prelazia de Palmas, atendendo assim também a um pedido do bispo, Dom Carlos Bandeira de Mello. De 23 de outubro de 1955 a 10 de março de 1956 ajudou na Paróquia de Dionísio Cerqueira – Barracão e depois, começou na imensa paróquia de Nossa Senhora da Glória em Francisco Beltrão, onde visitava mais de 100 comunidades que se estendiam da cidade até o Rio Capanema e o Rio Iguaçu. Como havia poucas estradas transitáveis, fazia as visitas todas a cavalo. Cada giro de visitas levava até um mês. O Pe. José sempre gostava de lembrar aquelas visitas às comunidades em formação, fazendo batizados, primeiras eucaristias, atendendo confissões, casamentos, visitas a doentes, … Entusiasmo e dedicação nunca lhe faltavam. Com o crescimento da região e a criação de novas paróquias, ele foi solicitado para concentrar o seu trabalho em Ampère, onde ele começou em 10 de março de 1963 primeiro como reitor, e depois, com a criação da Paróquia Santa Terezinha, como pároco até 03 de março de 1976, com um pequeno intervalo em 1972 – 1973 quando atendeu a Paróquia de Marmeleiro. Sempre ativo e preocupado, chegou ao cansaço extremo, obrigando-o a dar prioridade à sua saúde. Mesmo assim, aproveitou para fazer um curso no Rio de Janeiro e trabalhando depois por uns meses como pároco na Paróquia de Santo Antônio – Vila Parolin em Curitiba. Em março 1977 voltou para o seu querido Sudoeste do Paraná, onde atendeu como pároco, primeiro a paróquia de São José – Vila Nova em Francisco Beltrão até maio 1982, e depois Pranchita até outubro de 1988. A partir de novembro daquele ano, ele se muda para a Casa MSC no Pinheirinho em Curitiba, onde ele ajudou na administração e em tudo aquilo que lhe foi solicitado. Em 5 de outubro de 1995 voltou definitivamente para Bélgica a fim de ficar mais perto de sua família, atendendo ao mesmo tempo uma pequena paróquia em Bree até completar os 80 anos de vida. Mas quase todo ano ele voltava para o Brasil para visitar os lugares e, principalmente, os muitos amigos e amigas que ele colecionou ao longo dos seus 40 anos de vida missionária a serviço do povo de Deus.  Nos últimos anos da sua vida, entre idas e vindas de hospitais, continuou conectado a muitas pessoas, até a chegada da sua morte neste dia 17 de abril de 2020.

O Pe. José era um padre completo, profundamente inserido na vida do povo. Um bom pastor a exemplo do seu Mestre Jesus e com um coração igual ao do Cristo Senhor.  O seu lema poderia ter sido como o de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a vida em abundância.” (Jo 10,10) Ele dava uma importância muito grande às pastorais sociais, desenvolvendo sempre um serviço social muito significativo. Posicionou-se claramente a favor dos colonos na famosa revolta de 1958 no Sudoeste do Paraná, ajudou na formação de cooperativas, sindicatos e clubes de mães. A sua grande obra foi a construção do Centro Social na Paróquia de Ampère. Sendo filho de um pai que ficou ao longo de mais de 30 anos prefeito de Gerdingen-Bree na Bélgica, entendeu que a política é um instrumento importante na construção de uma sociedade justa e igualitária. Junto com os padres Roberto Verleysen e Jef Caekelbergh, ele deu à Igreja daquela parte do Sudoeste do Paraná uma fisionomia própria, totalmente engajada na vida do povo. Muito obrigado, Pe. José pela sua vida, o seu sacerdócio, a sua dedicação, o seu companheirismo.  Você foi um grande guerreiro, disciplinado exigente para consigo mesmo, mas super atencioso, generoso e compreensivo para com todos. Que Deus lhe conceda o merecido descanso eterno.