No sábado, 11 de fevereiro, às 19h, na Matriz da Paróquia Cristo Rei, em Francisco Beltrão, Pe. Flávio Luiz Volpatto presidiu a celebração de seus 25 anos de sacerdócio. A santa Missa foi concelebrada pelo Pe. Emerson Detoni (CDAE) e Pe. Valdecir Bressani (Diretor do Instituto Sapientia de Filosofia). Estiveram presentes dona Clementina Lúcia Albarello Volpatto (mãe do Pe. Flávio que reside em Barracão-PR), irmãos, demais familiares e amigos.

A celebração foi no Dia de Nossa Senhora de Lourdes, marcou a renovação dos votos religiosos das irmãs do Pe. Flávio: Irmãs Tania Maria Volpatto (Cambuquira-MG e Izelba Maria Volpatto – Passo Fundo-RS – ambas da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora). Também renovaram os votos religiosos as Irmãs Marta Gomes, Clarice Dalberto e Clarina Magalett Cortes (Congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Lourdes), que residem em Francisco Beltrão).

Em entrevista à Revista Olhar, Pe. Flávio falou do início de sua caminhada vocacional e as alegrias, conquistas e desafios ao longo dos 25 anos de sacerdócio. Confira abaixo:

Pe. Flávio, fala-nos da família, o tempo da infância e da vocação à vida sacerdotal.

Sou filho de Pedro Volpatto (in memória) e Clementina Lúcia Albarello Volpatto, quinto filho entre sete irmãos, a saber: Izelba Maria, Zélio José, Tânia Maria, Ieda, Flavio Luiz, Rosângela Maria e Edi Sandro. Nascido em Frederico Westphalen – Rio Grande do Sul, no dia 05 de outubro de 1964. Quando tinha três anos de idade meus pais migraram do Rio Grande para o Paraná, fixando residência no município de Barracão, onde residem até hoje. Família de pequenos agricultores, simples, pobres, mas com grande fé e força de vontade de lutar. Sempre envolvidos na comunidade. Batizado em Frederico Westphalen, recebi a primeira Eucaristia e Crisma na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Barracão. Infância normal como qualquer criança, não era de sair muito, ficava mais em casa com a família. Com relação à vocação sacerdotal, lembro que, desde criança, mesmo antes de começar a frequentar a catequese sempre dizia que desejava ser padre, o que com certeza, foi alimentada pelo apoio e incentivo dos pais e irmãos. Com o passar do tempo, a vivência na catequese, participando do grupo de adolescentes, liderados pela Irmã  Izabel, da Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração, fui amadurecendo a ideia e quando terminei a 8ª séria ingressei no Seminário Menor São João Maria Vianney, em Palmas.

Qual seminário iniciou a formação e quais foram alguns dos momentos marcantes daquele tempo, do Curso de Filosofia e de Teologia?

Ingressei no Seminário São João Maria Vianney, em Palmas, em fevereiro do ano de 1980, com 15 anos de idade, logo após ter recebido o sacramento da Crisma. Ali cursei o ensino médio durante três anos. Ao concluir o ensino médio prestei vestibular para o curso de Filosofia, em Toledo, lá cursei o primeiro ano de Filosofia, residindo no Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja. Concluí o curso de Filosofia em Palmas, na antiga FAFI, quando nossa Diocese decidiu por deixarmos Toledo e continuar os estudos filosóficos em Palmas, residindo na casa ao lado do Santuário Nossa Senhora de Fátima, onde hoje tem o centro comunitário do Santuário. Em 1986 iniciei os estudos teológicos em Florianópolis – SC, no ITESC – Instituto Teológico de Santa Catarina, concluindo em 1989. Todo período de formação deixou marcas e muitas lembranças. No seminário menor, além da formação e os estudos, o que deixou marcas foram as noites culturais que aconteciam durante o ano e depois no encontro com os pais no final de ano. Outro ponto marcante, não apenas no seminário menor, mas em todos os períodos da formação, foi a presença constante do Bispo Diocesano Dom Agostinho, que conversava com cada seminarista pelo menos uma vez por ano e demonstrava conhecer cada um individualmente bem como a família, isso dava ânimo e força aos seminaristas. Dizia sempre: “O Seminário é a pupila dos olhos do bispo”. Lembrança positiva e marcante foi que no último ano do seminário menor os formadores levaram todos os mais de 80 seminaristas para a praia em Santa Catarina, onde a grande maioria não conhecia o mar ainda, inclusive eu, e, a primeira vez sempre deixa boas lembranças. Durante o período da filosofia deixou marcas a experiência de vida em comunidade pequena, onde tivemos oportunidade de assumir mais a responsabilidade pelo andamento e bom funcionamento da casa, a convivência foi marcante nesse período, o mesmo aconteceu durante a teologia, em Florianópolis. Lembranças boas também foi o trabalho pastoral que realizamos visitando as comunidades da Catedral, períodos de missão nas comunidades do interior de Palmas, conhecendo a realidade das famílias e encontros de formação de lideranças, deixou marcas porque foram os primeiros realizados. Também nesse período fiz minha primeira experiência como catequista, acompanhando uma turma de crismandos da Catedral de Palmas. Lembrança positiva também foi a experiência bonita que realizamos apresentando uma peça de teatro vocacional em Palmas e muitas paróquias da Diocese. Durante o período de férias, tanto na filosofia como na teologia realizamos missão em várias paróquias da Diocese, com formação para lideranças em especial dos catequistas.

Onde e quando aconteceu a sua ordenação sacerdotal, que lembranças  marcaram e continuam em sua memória. Diga-nos algo desta data.

Ao término dos estudos teológicos senti que não estava pronto para ser ordenado ainda, por isso, pedi ao Bispo para, durante um ano, fazer uma experiência pastoral em uma paróquia da Diocese. Foi-me concedido e, durante o ano de 1990 convivi com o Padre Deoclézio, na Paróquia Cristo Rei, de Pato Branco, onde me firmei no propósito e após este ano pastoral solicitei então que me fosse concedido o Sacramento da Ordem do Diaconato, o qual recebi das mãos de Dom Agostinho José Sartori, na Matriz Cristo Rei (Pato Branco), no dia 09 de setembros de 1991. Exerci o diaconato na Catedral do Senhor Bom Jesus, em Palmas e no dia 15 de fevereiro de 1992, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Barracão, recebi o segundo grau do Sacramento da Ordem, o Presbiterato, das mãos de Dom Henrique Müller, Bispo Diocesano de Joaçaba – SC, pois Dom Agostinho estava enfermo e não tinha condições de celebrar. Lembro com alegria toda a preparação, uma grande equipe de missionários visitando as comunidades e as famílias com bênçãos de casa, marcou muito porque sentíamos a alegria das pessoas e a sede de Deus. Como era o 1º a ser ordenado na paróquia, a curiosidade era grande. Mais de 3 mil pessoas participaram da Missa de Ordenação e em torno de mil pessoas celebraram comigo a primeira missa, no dia seguinte. São gestos e demonstração de carinho que deixam marcas.

Com a nova missão sacerdotal, qual foi o primeiro trabalho pastoral na Diocese e como foram os primeiros anos no sacerdócio?

Meu primeiro compromisso pastoral foi de colaborar como vigário na Paróquia Nossa Senhora da Glória, de Francisco Beltrão e Santa Rita de Cássia em Marmeleiro, em Marmeleiro. O desafio foi maior, pois estava sozinho para atender todo o município, quase 60 comunidades entre cidade e interior, foi um período de 6 meses, uma grande escola para posteriormente assumir uma paróquia como pároco, o que aconteceu no ano de 1993. No início me senti um pouco inseguro, mas aos poucos, com a força do Espírito Santo e a graça de Deus fui superando o medo, a insegurança e realizando a missão, deixando-me guiar pelo Espírito de Deus e pela providência divina e assim nunca me senti desamparado. Um dos grandes desafios foi aprender a viver sozinho e superar a solidão, contando com a presença e o apoio da comunidade, sempre com bons amigos em cada lugar em que exerci o ministério.

Quais foram os lugares onde trabalhou e por quanto tempo em cada lugar e seus desafios?

Nestes 25 anos foram muitos os lugares em que exerci o ministério e também muitos os desafios enfrentados. De fevereiro a junho de 1992, trabalhei na Paróquia Nossa Senhora da Glória, juntamente com o Padre Natalício e o Padre Adilson; de julho a dezembro do mesmo ano, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Marmeleiro; em janeiro de 1993, fui nomeado Pároco da Paróquia São José, de Enéas Marques, ali trabalhei até o mês de outubro de 1995, quando fui nomeado Diretor Espiritual do Seminário Menor São João Maria Vianney, de Palmas. No ano de 2000, fui acompanhar os seminaristas do curso de filosofia, em Brusque – SC, por três anos e meio. Em julho de 2003, retornei à Palmas agora como Chanceler da Diocese e Capelão do Lar dos Idosos Nossa Senhora das Graças, residindo no Palácio Episcopal até o final de 2004. Em janeiro de 2005, fui nomeado Pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua ,em Dois Vizinhos. Depois de cinco anos fui transferido para a Paróquia Cristo Rei, em Francisco Beltrão, onde assumi como Pároco no dia 6 de fevereiro de 2010. Já estou deixando esta comunidade para retornar à formação dos futuros sacerdotes, tendo sido nomeado para a função de Diretor Espiritual do Seminário Diocesano de Filosofia Bom Pastor, de Francisco Beltrão, onde assumirei a partir do dia 18 de fevereiro próximo. O primeiro desafio em cada um dos lugares por onde passei foi a adaptação, conhecer as pessoas, dar continuidade aos trabalhos que estão em andamento e ao mesmo tempo apresentar algo novo que a comunidade espera.

Quais foram as principais alegrias no exercício do sacerdócio? Houve uma pastoral em que teve prioridade?

Ao assumir o dom da vocação ao ministério sacerdotal com convicção de ser um dom de Deus já é uma grande alegria. Durante o exercício do ministério, todos os dias Deus têm realizado maravilhas na minha vida e a maior de todas as alegrias é a graça de celebrar a Eucaristia, realizar este grande mistério do amor de Deus para nós, em que o próprio Jesus se oferece como alimento e saber que, pela força do Espírito Santo e pela imposição das mãos ungidas na ordenação, tornar isso realidade é, e sempre será, a maior alegria e compromisso de vida. Também é alegria celebrar com a comunidade e com as pessoas em particular todos os sacramentos. Batizar uma criança ou adulto, tornando-a membro da comunidade, renascendo pela graça batismal; assistir ao matrimônio, onde um homem e uma mulher assumem a vocação matrimonial como dom de Deus na vida; assistir aos doentes (enfermos), levando a palavra de conforto, a unção e a comunhão; atender o sacramento da reconciliação, realizando o mandato de Jesus que disse: “A quem perdoarem os pecados eles serão perdoados…”; participar da vida e crescimento de pessoas e comunidades; participar da caminhada de outros irmãos que também assumiram, como eu, o dom da vocação ao ministério sacerdotal; em cada desafio superado, etc… São maravilhas realizadas por Deus e por mim acolhidas que trazem muita paz e alegria na missão a partir do sim ao chamado que Ele me fez.

Com relação às pastorais e movimentos sempre me coloquei ao serviço da Diocese, onde fosse necessário. Procurei colaborar, mas não dando prioridade a esta ou aquela pastoral, a este ou aquele movimento. Quando foi confiado a mim um trabalho, procurei fazer o melhor sempre, tendo em vista a proposta do Reino de Deus.

Ao completar vinte e cinco anos de vida e serviço ministerial na Diocese, que mensagem podes dar aos leitores da Revista Olhar e aos futuros sacerdotes, aos seminaristas diocesanos? 

Sou muito agradecido a Deus pelo Dom recebido, o dom da vida como pertença ao Reino que se concretiza na comunidade através do batismo e, fazendo parte da comunidade, o dom da vocação ao ministério sacerdotal. Sou muito agradecido à minha família pelo exemplo e testemunho de fé, pelo apoio, compreensão e força no meu processo de crescimento e amadurecimento na fé e no serviço ao Reino. Sou grato à Diocese de Palmas – Francisco Beltrão que me acolheu, acreditou em mim e me deu oportunidade de formação e de exercer o ministério sacerdotal. Sou grato a todas as comunidades por onde passei durante estes 25 anos de missão, às pessoas que me acolheram fazendo parte assim da minha caminhada, sendo apoio e fortaleza aos meus pés às vezes cansados e abatidos.

Gostaria de dizer que estou muito feliz por ter assumido o ministério sacerdotal, sinto-me realizado como pessoa. Sempre, por todos os lugares em que passei, encontrei pessoas que me acolheram como filho, irmão, amigo e pai. Sempre acreditei na sinceridade daqueles que, de um jeito ou de outro, fizeram parte da minha vida. O lema que escolhi para a missão, “Tudo posso Naquele que me fortalece”, da carta de Paulo aos Filipenses 4,13, tem me acompanhado em cada momento da vida. Quando parecia que o desânimo se fazia presente, lembrava de que não era eu e sim Ele quem conduzia meus passos e na força do Espírito Santo me sinto fortalecido e amparado. Aos jovens que estão se preparando para o ministério e àqueles que estão pensando em ingressar no seminário, digo que vale a pena ser Padre, vale a pena arriscar tudo pela causa do Reino de Deus. Quando a vocação for sincera e verdadeira não existem barreiras que não possam ser vencidas, pois, quem nos sustenta é aquele que nos chama. O ministério não é um privilégio, mas um dom a serviço dos irmãos e irmãs, do Reino de Deus.

 
2
  • Compartilhe no Facebook
 
3
  • Compartilhe no Facebook
 
4
  • Compartilhe no Facebook
 
5
  • Compartilhe no Facebook
 
6
  • Compartilhe no Facebook
 
7
  • Compartilhe no Facebook
  
capa
  • Compartilhe no Facebook