Dom Edgar Xavier Ertl, Bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, em seu artigo semanal, trata do significa do dia de finados, com o título “A esperança da feliz ressurreição!”. Ressalta que a comemoração dos fiéis defuntos é um convite à esperança, fala de nossas angústias, sobretudo com essa pandemia da Covid-19 sem fim.

 

Leia na íntegra o artigo de Dom Edgar Ertl

  A esperança da feliz ressurreição!

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A graça que Jesus Cristo nos concede, ou seja, sua ressurreição, nossa ressurreição, exige-se dos batizados a cooperação.

Dia 2 de novembro a Igreja reza por todos os fiéis defuntos. É um dia especial de amor e devoção em memória de irmãos e irmãs que já estão na “Casa do Pai” e que nos marcaram enquanto aqui peregrinaram. Na morte de seus filhos e filhas, a Igreja celebra o Mistério Pascal do Filho de Deus, Jesus Cristo, centro de nossa fé cristã. Nós professamos no Credo Apostólico “a ressurreição dos mortos e a vida eterna”.

Tomé indaga ao Senhor sobre o desconhecido caminho para a “Casa do Pai”, a vida ressuscita, promessa de Jesus Cristo: “Como podemos conhecer o caminho?” (Jo 14,5). Para Tomé e a todos Jesus inculca e comunica, uma fé confiante: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai se não for por mim” (Jo 14,6). Jesus é caminho, nosso guia, orientador ou/e mostrador do caminho à vida nova, vida ressuscitada aos fiéis defuntos. Por ele transitamos rumo ao Pai. É um caminho autêntico, verdadeiro e vital, é verdade e vida em caminho.

Filipe formula a seu modo um pedido audaz, de todas as pessoas religiosas. Ele quer contemplar Deus, “a casa do Pai” como sentido último, o escatológico da sua existência. Suplica-Lhe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (Jo 14,8). Jesus faz uma catequese de interrogação e afirmação a Filipe a respeito do Pai, seu destino. O Pai é o espaço vital de Jesus e Jesus é o espaço de manifestação do Pai – Ele é a revelação de Deus. Somente na fé podemos descobrir e contemplar o que Jesus quer dizer a Filipe e todos nós, hoje seus seguidores. “Quem me viu, viu o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (cf. Jo 14, 9-11). A ligação entre as palavras de Jesus e as do Pai que o enviou está fundamentada na figura de Jesus, como o “agente do Pai” – “caminho para o Pai”. Jesus não é somente um guia para a salvação; ele é a fonte da vida e verdade. O acesso a Deus dá-se através de Jesus. Nele contemplamos Deus. Nossa pergunta encontra nele resposta, nosso espírito, verdade, nossas angústias, sobretudo com essa pandemia da Covid-19 sem fim, a fonte da vida e da esperança na eternidade. Neste sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz à glória do Pai e, ao mesmo tempo a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis aos seus seguidores.

A quem iremos?

Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, a quem iremos? Tu dizes palavras de vida eterna. Nós cremos e reconhecemos que tu és o Consagrado de Deus” (Jo 6,68-69). Na confissão concentrada de Pedro está a confissão da comunidade de fé, pois nela está o conteúdo da esperança e da alegria antecipada do discípulo nas promessas do Ressuscitado. Não há outro a quem recorrer, Jesus é único; em suas palavras vibra e se comunica essa vida superior, escatológica e eterna.

“A quem iremos?” É a opção que Pedro pronuncia, vendo a insuficiência de qualquer outra solução. Todavia, para que tais realidades teológicas sucedam conosco, pois tudo isso significa compromisso com Jesus e seu projeto. A graça que Jesus Cristo nos concede, ou seja, sua ressurreição, nossa ressurreição, exige-se dos batizados a cooperação. Nós somos protagonistas da cooperação. Diante das promessas do Reinado ninguém está na posição da passividade, da espera de braços cruzados. Optar por Jesus Cristo e seu Reino, é optar pelo certo, pelo garantido.

A comemoração dos fiéis defuntos é um convite à esperança, enquanto aguardamos –“até que ele venha” (1Cor 11,26) – a consumação do mistério redentor em nossas vidas, através de nossa associação ao mistério da vida e morte de Cristo, nossa esperança e ressurreição. Porque Nele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. Reza a Igreja: “E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada”.

Dom Edgar Ertl