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Em seu artigo semanal, Dom Edgar Xavier Ertl, Bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, ressalta “Simão, o Cirineu”, aquele que ajuda Jesus a carregar a cruz. Diz dom Edgar que na vida todo mundo precisa de um Simão, o cireneu, que ajudou a carregar a cruz de Jesus, para ajudar a carregar as nossas cruzes.

 

Simão, o Cireneu

Os Evangelhos destacam que quando Jesus estava sendo conduzido para ser crucificado, carregando uma pesada cruz, sobre seus frágeis ombros, foi o Mestre ajudado por “tal Simão, o Cireneu”. Vejamos como os textos bíblicos descrevem o auxiliar de Jesus, neste momento de dor e chicoteadas enquanto peregrinava ao Calvário para ser crucificado e morto pelos poderes constituídos.

São Marcos descreve que “passava por aí, voltando do campo, certo Simão de Cirene (pai de Alexandre e Rufo), e o forçaram a carregar a cruz” (15,21). São Mateus diz que “à saída encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e o forçaram a carregar a cruz” (27,32). São Lucas comenta que “quando o conduziram, tomaram um tal Simão de Cirene, que voltava do campo, e lhe impuseram a cruz para que a levasse atrás de Jesus (23,26). Já São João não introduz Simão de Cirene, como tampouco menciona em seu evangelho o princípio de carregar a cruz para seguir Jesus.

Provavelmente o Cireneu ajudou a Jesus carregar a cruz, uma espécie de travessão horizontal, que os condenados eram obrigados a carregar. Na trave horizontal da cruz se fixavam ou atavam os braços para içá-la sobre a trave vertical, já fincada na terra. Ele vai levar o madeiro transversal da cruz, “atrás dele”. Simão e seus dois filhos, segundo São Marcos, deviam ser conhecidos em alguma comunidade primitiva, talvez um judeu da diáspora, procedente de Cirene. Cireneu passou para a nossa língua a designar “uma obra de caridade”, ou dizendo de outra maneira “como tipo de caridade”, porque leva o peso de outrem (cf. Lm 1,14).

Além disso, Simão é o primeiro seguidor de Jesus, de acordo com a norma de Marcos 8,34: “Quem quiser seguir-me, negue a si mesmo, carregue sua cruz e me siga”. Em Lucas lemos: “Quem quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, tome sua cruz cada dia e venha comigo” (9,23). Noutro versículo Jesus pede aos seguidores: “Quem não leva sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27).

Jesus caminha para Jerusalém a fim de padecer e morrer, deixando claro sua catequese ou melhor, as condições para o seguimento, para o discipulado aos que quiserem segui-lo. Assim que Simão, o Cireneu, entendeu perfeitamente a máxima do Senhor. Para ele não foi um sacrifício, uma obrigação violenta ou simplesmente forçada pelos acusadores do Mestre. O seguimento autêntico supõe a cruz. Não há seguimento, serviço e fidelidade a Jesus Cristo sem a presença da cruz. Se não está disposto a isso, não reúne as condições para rematar o projeto.

O Bispo de Roma, Bergoglio exorta-nos sobre a atitude de Simão: “Somente quem se reconhece vulnerável é capaz de uma ação solidária. De fato, comover-se (‘mover-se-com’) e compadecer-se (‘padecer-com’) com quem jaz à beira da estrada são atitudes de quem sabe reconhecer no outro a própria imagem, mistura de terra e tesouro, e, por isso, não a rejeita. Por isso, falamos da dignidade da pessoa, de cada pessoa, para além do fato de que a sua vida física seja apenas um frágil início ou esteja prestes a se apagar como uma vela. Quanto mais as suas condições de vida são frágeis e vulneráveis, mais a pessoa merece ser reconhecida como preciosa. E deve ser ajudada, amada, defendida e promovida na sua dignidade. Sobre isso, não se pode negociar”.

Portanto, precisamos de muitos homens e mulheres dispostos a agir como Simão, o Cireneu, e suportar uma parte do peso da cruz do próximo, que vive situações de tribulações e tristezas da vida presente. É fato. Na vida todo mundo precisa de um Simão, o cireneu, que ajudou a carregar a cruz de Jesus, para ajudar a carregar as nossas cruzes. Somos Simão Cirineu, discípulo de todos os tempos, que caminha após Jesus, levando também ele a sua cruz (Lc 23,26).

 

Dom Edgar Ertl