O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebeu as famílias e agentes da Pastoral Familiar de todo o Brasil, na 9ª Peregrinação e 7º Simpósio Nacional da Família. Neste ano jubilar, em que a Igreja celebra os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Rio Paraíba do Sul, o lema do evento, realizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB (CEPVF) e Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), foi “No Ano Mariano, a família peregrina para a Casa da Mãe”.

As atividades aconteceram nos dias 27 e 28 de maio, iniciando com o 7º Simpósio Nacional, que recebeu conferencistas para abordagem de temáticas relevantes para a vida em família e para o trabalho da Pastoral Familiar. A peregrinação foi aberta no início da noite de sábado com a Santa Missa, seguida de procissão luminosa.

Conferências

A exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco “Amoris Laetitia – sobre o amor na família” foi tema da primeira conferência do Simpósio. A

doutora Maria Inês de Castro Millen, médica, mestre em Ciência da Religião e doutora em Teologia, apresentou o documento a partir da visão da mulher.

O bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral Vida e Família da CNBB, Dom João Bosco Barbosa de Sousa, conduziu a segunda conferência sobre a temática “Família: uma luz para vida em sociedade” e a iluminação bíblica “Vós sois a Luz do Mundo” (Mt 5, 14).

Seguindo a proposta do acompanhamento juvenil, já apresentada no ano passado, o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, padre Antônio Ramos do Prado, falou sobre o acompanhamento de adolescentes e jovens na família à luz do capítulo VII da exortação Amoris Laetitia.

O casal de membros da Pastoral Familiar e ex-coordenadores do Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar (Inapaf), João Bosco Lugnanie e  Aparecida Eunides Lugnani, falaram do projeto que desenvolvem no YouTube “Vida, família e fé, em testemunhos”.

Ainda durante o Simpósio, houve apresentação de experiência de uma equipe de Regional da Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) e a meditação do terço com transmissão pela TV Aparecida.

Peregrinação

Iniciando com a celebração eucarística, às 18h, na basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a Peregrinação das Famílias teve uma procissão luminosa com o lema “No Ano Mariano a família peregrina para a casa da mãe”. No domingo, foram celebradas duas missas com a participação das famílias de peregrinos: às 8h, presidida pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, e às 10h presidida por Dom Donizete Aparecido, bispo auxiliar de Porto Alegre.

A Diocese de Palmas-Francisco Beltrão participou do Simpósio e da Peregrinação com 22 agentes da Pastoral Familiar e do Movimento de Lareira.

Entrevistas

Disse dom Donizete Aparecido que o Simpósio e a Peregrinação da Família foi a manifestação da graça de Deus que acontece na vida de muitas famílias: “Se percebe um trabalho bonito na evangelização das famílias através da Pastoral Familiar. São muitas pessoas empenhadas no trabalho pela família e em prol da vida”. Em sua mensagem à Pastoral Familiar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, Dom Donizete disse que todos devem se sentir revestidos da força do Espírito Santo: “Diante dos desafios que aparecem, sobretudo nessa sociedade marcada por tantas contradições, mas que os agentes da Pastoral Familiar se recordem da ação do Espírito Santo que age dando sabedoria, discernimento para que sejam perseverantes, trabalhem com alegria e com amor”.

O assessor da Comissão Nacional da Pastoral Familiar, Padre Jorge Alves Filho, ressaltou a grande participação de agentes da Pastoral Familiar de todo o Brasil: “Isso demonstra que nossa Pastoral Familiar está atuante, vigorosa, acolhedora e como Igreja em saída, como é o pedido do Papa Francisco”.

Pe. Antonio Maria ressaltou a importância do Simpósio para a valorização da família: “Tudo gira em torno da família, Deus é família, a Igreja é família. É importantíssimo estarmos aqui com essa conscientização e reflexão sobre o valor da família. Que Nossa Senhora estenda seu manto sobre todos nós para que possamos fazer da família, uma família sagrada como a de Nazaré’. Pe. Antonio Maria enviou mensagem aos agentes da Pastoral Familiar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão: “Continuem nessa missão que Deus lhes deu. Nós precisamos de operários para trabalhar pelo Reino e vocês trabalhando na Pastoral da Família, são importantíssimos. Sejam humildes e pequeninos, pois Deus quer usá-los como instrumentos de seu amor. Parabéns pelo trabalho de vocês”.

No dia 26 de maio, houve a escolha do casal Luiz e Kátia Stolf (Arquidiocese de Joinville-SC), para a nova coordenação nacional da Pastoral Familiar. O casal fala da nova missão que assumem: “Fomos impactados com a missão que recebemos, mas acreditamos que Deus nos capacita para isso”. Disse o novo coordenador que será fundamental que as pastorais e movimentos estejam unidos pelas ações em favor das famílias. Disse aos agentes da Pastoral Familiar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão que tenham esperança e alegria no trabalho: “Mostrem disposição e não tenham medo de se lançar e que tenham certeza que, se estão nessa caminhada, é porque estão sendo chamados, sendo assim devemos uma resposta a Deus”.

A realização do Simpósio e a Peregrinação iniciou quando Dom Orlando Brandes quando presidia a CEPVF da CNBB. Agora como arcebispo de Aparecida-SP, local que sedia o evento, dom Orlando diz que é uma atitude fundamental para refletir sobre a família: “As pessoas participam e têm grande proveito, isso significa que a família está em primeiro lugar, pois ela forma um mundo novo e bons cidadãos, onde a família é desestruturada há todo o tipo de problemas. Onde a família é a fonte e manancial de amor, as pessoas, sentindo-se amadas, constroem um mundo novo como grande família”.

Dom João Bosco – Presidente da CEPVF da CNBB, em sua palestra falou do tema: “Família, uma luz para a vida em sociedade”. Ressaltou que a Exortação do Papa Francisco – Amoris Laetitia – sobre o amor na família – é um documento ousado que motiva a Pastoral Familiar para ir ao encontro das famílias que estão à margem da sociedade ou aquelas que estão vivendo crises que desafiam a os lares. Pede também que haja a maior consciência de pastoral de conjunto organizada e estruturada na paróquia e nas dioceses, onde todos estejam caminhando em única direção em favor da família. Ressaltou que a Pastoral Familiar deve ir em busca das famílias agredidas, levando o amor de Deus. Lembrou da importante missão da Pastoral Familiar junto aos casais em segunda união, que devem ser acolhidos com amor fraterno, sem deixar de falar a verdade com a misericórdia divina e que estes têm importante espaço na Igreja, conforme orienta o capítulo XVIII da Exortação pós sinodal sobre o amor na família. Que estes casais devem ser acolhidos, acompanhados e inseridos na comunidade eclesial.