• Compartilhe no Facebook

Dom Edgar Ertl

Em seu artigo semanal à imprensa, Dom Edgar Xavier Ertl, Bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, aborda o tema: “A gratidão abre as portas do coração”.

“Chegou o final de ano e nossa palavra principal é gratidão. Ser grato é um gesto nobre. É um gesto de quem se sente agradecido e engrandecido pelos pequenos e grandes êxitos obtidos nos seus propósitos e aspirações”, diz dom Edgar.

Abaixo, leia na íntegra o artigo de dom Edgar.

“A gratidão abre as portas do coração”

Dom Edgar Ertl

A frase do título deste último artigo de 2019 é de um autor desconhecido. Chegou o final de ano e nossa palavra principal é gratidão. Ser grato é um gesto nobre. É um gesto de quem se sente agradecido e engrandecido pelos pequenos e grandes êxitos obtidos nos seus propósitos e aspirações. Gratidão é um sentimento de quem tem fé, de quem crê e apesar das provações e desafios, sente-se honrado em agradecer por inúmeros benefícios recebidos. Quais são seus sentimentos de gratidão? Se tivéssemos que elencar numa ordem de importância e significado, o que você destacaria deste ano que se finda?

No Evangelho de São Lucas (cf. 17,11-19), Jesus após ter curado dez leprosos, que o invocaram, mesmo que à distância, sua compaixão, após a cura suplicada com clemência e dor, e atendidos, um voltou para agradecer-Lhe. Aproxima-se do Mestre, glorificando a Deus em alta voz, atira-se a seus pés e lhe agradeceu. Este era um samaritano, meio pagão.

Jesus questiona a indiferença, a ingratidão: “Não foram dez os curados? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro? (v.17-18). Jesus reclama a falta de gratidão dos outros nove curados, não porque queria ou necessitasse de reconhecimento pelo bem realizado em favor de dez leprosos. Mas quer ensinar-nos o quanto é importante sabermos ser gratos por um favor recebido, não importa sua proporção. A gratidão a Jesus pela salvação é o componente essencial da vida cristã. Estamos vivendo as graças e bênçãos do Natal, do nascimento do Salvador e Redentor Jesus Cristo. Estamos no tempo favorável da gratidão, além do final do ano que se aproxima.

Então, se tivéssemos que nos avaliar agora ao término de 2019: identifico-me com o estrangeiro que volta agradecido ter com Jesus ou com os nove ingratos pelo que receberam? A prece que podemos fazer neste ano no seu ocaso é “Senhor, dai-nos um coração agradecido”. Quero ser agradecido pelo dom da vida, pela família, pela vocação e profissão que tenho, agradecido pela fé, pela esperança, pela caridade feita e recebida, agradecido pelos amigos antigos e novos, os que surgiram na minha vida neste ano. Senhor, um coração agradecido, é um coração pleno de alegria e de paz. Um coração sempre agradecido por todas as graças e dons que de Deus temos recebido. Agradecido pela inteligência, pela consciência e senso de pertença à família, às comunidades de fé, e, porque estamos inseridos na sociedade e nas coisas públicas e nelas e por elas temos cumplicidades. Somos cidadãos e como tais temos deveres e direitos e por isso somos agradecidos pela parcela de contribuição dada para que a vida e a dignidade das pessoas fossem respeitadas e protegidas. Sempre, Senhor, dai-nos um coração agradecido. Afasta-me, Senhor, da ingratidão e da indiferença diante de sinais de prosperidade que me proporcionaram dias felizes.

Em gratidão a Deus pelos imensos gestos que tenho recebido, concluo a reflexão como um trecho do Salmo 138/137: “Eu te agradeço de todo o meu coração, ó Senhor. Quando eu gritei, tu me ouviste e aumentaste a força em minha alma. Quando caminho entre perigos, tu me conservas a vida. O Senhor fará tudo por mim. Ó Senhor, o teu amor é para sempre! Não abandones a obra de tuas mãos!” (vv. 1.3.7-8).

Feliz Ano Novo! Com as bênçãos e graças de Deus, prosseguimos nossa missão em 2020 com o desejo de São Paulo: “Não cesso de dar graças a Deus por vós” (Ef 1, 16).