Protagonismo marca encontro municipal de pessoas com deficiência em Palmas
Conselho Municipal promoveu I Encontro em alusão à Semana Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência
Geral
O Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Palmas promoveu, na sexta-feira (26), o I Encontro Municipal em alusão à Semana Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência. O evento ocorreu no auditório da APAE e contou com ampla participação da comunidade, representantes de entidades e diferentes segmentos da sociedade.
O objetivo, segundo os organizadores, foi assegurar o protagonismo das pessoas com deficiência, permitindo que expusessem suas demandas e opiniões. O presidente do Conselho Municipal, Emerson Orlei dos Santos, destacou a importância da iniciativa. “É muito importante a colaboração para esse evento. Um grande número de pessoas hoje no nosso encontro, que é o primeiro de muitos. Nosso primeiro passo é que a população venha, conheça novos trabalhos e que todos participem de maneira igualitária”, afirmou.
A pedagoga Patrícia Monteiro, integrante do Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Paraná, ressaltou a relevância de dar voz aos protagonistas. “Hoje a gente vê pouco protagonismo da própria pessoa com deficiência. Existem muitas leis, mas muitas delas são de gaveta, feitas sem ouvir quem realmente precisa delas. A pessoa com deficiência precisa estar na frente das decisões e das políticas públicas”, avaliou.
Ela também defendeu a proposta que tramita no Senado Federal, que prevê a obrigatoriedade da participação das pessoas com deficiência nos debates sobre acessibilidade. “É fundamental que sejamos ouvidos, porque somos cidadãos como qualquer outro: trabalhamos, estudamos, consumimos e precisamos participar da construção das políticas que nos afetam diretamente”, disse.
Patrícia, que é deficiente visual, compartilhou ainda os desafios do cotidiano. “A gente tem que ter muita coragem para sair de casa, porque a cada dia enfrentamos barreiras. Não só buracos nas calçadas ou obstáculos físicos, mas, principalmente, barreiras atitudinais. Muitas pessoas nos enxergam como incapazes, coitadinhos ou super-heróis. Não somos nem um, nem outro. Somos pessoas comuns tentando viver de forma digna e acessível”, explicou.
Para ela, a mudança também deve começar nas famílias. “A superproteção é um dos maiores problemas. A pessoa com deficiência não é de cristal, precisa de autonomia. Todas as pessoas têm talentos e capacidades, só precisam de oportunidades e de que a sociedade acredite em nossa capacidade”, completou.
O evento contou também com apresentações culturais e debates, reforçando a luta pela inclusão e pelo respeito aos direitos das pessoas com deficiência em Palmas.