Grupo RBJ de Comunicação
Grupo RBJ de Comunicação,
08 de março de 2026
Rádios
Publicidade

Captação de órgãos mobiliza helicóptero e salva vidas no Paraná: veja como tudo aconteceu

O procedimento de captação de múltiplos órgãos foi realizado no Hospital Regional de Francisco Beltrão

Saúde

por Patrick Rodrigues

Screenshot_20250731_161328_Gallery
Publicidade

Um procedimento de captação de múltiplos órgãos foi realizado nesta quarta-feira (30) no Hospital Regional de Francisco Beltrão. A ação mobilizou equipes médicas, de enfermagem e o suporte do serviço aeromédico do Samu. Fígado, rins e tecidos foram retirados para transplante, o que deve beneficiar ao menos três pacientes diretamente além de outros que aguardam por tecidos.

A médica Caroline do Carmo, que atua no Samu Aéreo do Paraná, explicou que o transporte aeromédico é essencial nesses casos, especialmente pela urgência e pela distância entre hospitais.

“É um trabalho que envolve tempo-resposta. Temos todo o suporte de uma UTI móvel, com monitor, desfibrilador e equipamentos para atendimento avançado. Quando se trata de transplante, a gente se dedica ainda mais, porque sabe que está ajudando não só uma, mas várias vidas”, disse.

Com base próxima ao aeroporto de Cascavel, a aeronave da Saúde 04 cobre cerca de 300 km de raio. No caso desta quarta-feira, os órgãos seguiram de helicóptero até Maringá, no norte do estado.

Cirurgia de alta complexidade

O procedimento de retirada dos órgãos foi conduzido pelo cirurgião Mateus Takahashi, especialista em transplantes e cirurgias do aparelho digestivo. Ele ressaltou a complexidade da operação e a importância da doação.

“Foi uma captação de múltiplos órgãos: fígado, rins e tecidos. São procedimentos delicados, feitos por equipes treinadas. Isso salva vidas. Hoje temos milhares de pessoas na fila por um órgão e só com a doação podemos mudar essa realidade”, explicou.

Takahashi também destacou a importância do diálogo familiar sobre o desejo de ser doador.

“Mesmo que a pessoa tenha esse desejo, a doação só acontece com a autorização da família. Por isso, é essencial conversar sobre isso em vida.”

Durante o mês de julho, que marca a campanha de conscientização sobre as hepatites virais, o médico também lembrou que essas doenças podem levar à necessidade de transplante de fígado.

Etapas do processo e apoio às famílias

A enfermeira Heloísa Tremea, responsável pela CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), acompanhou todo o processo e explicou como funciona a abordagem junto à família e o trâmite até o transplante.

“Todos os pacientes com critérios para abertura de protocolo são avaliados. Após o diagnóstico da morte encefálica, conversamos com a família e oferecemos a possibilidade da doação que é um direito da família ser informada”, afirmou.

Heloísa reforçou que não se trata de um pedido, mas de uma oferta de opção em um momento de luto.

“A doação é a única chance para muitas pessoas. Só no ano passado, tivemos 18 notificações de morte encefálica no hospital. Dessas, 12 resultaram em doações. Cada uma dessas decisões salvou vidas.”

Logística e esperança

Após a cirurgia, a logística envolveu a preparação e transporte dos órgãos via helicóptero até a cidade de Maringá. Lá, os órgãos serão encaminhados aos receptores conforme a lista de espera estadual, gerida pela Central de Transplantes do Paraná.

A mobilização de diferentes frentes do diagnóstico à remoção, transporte e transplante evidencia a complexidade e a importância do sistema de doação de órgãos no Brasil. E reforça, sobretudo, que dizer “sim” à doação pode ser o recomeço para muitas vidas.

Publicidade
Publicidade
Publicidade