Professores da Unioeste entram em estado de greve e pressionam por reposição salarial
Categoria aponta perdas de 52% e cobra negociação antes do prazo eleitoral
Geral
por Deise Bach
Os docentes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) decidiram entrar em estado de greve e podem paralisar as atividades nas próximas semanas. A mobilização envolve também professores de outras universidades estaduais do Paraná e servidores do Executivo.
De acordo com o diretor da Adunioeste, Carlos Antonio Bonamigo, a medida coloca a categoria em prontidão para uma greve, caso o governo estadual não apresente proposta de recomposição salarial até o início de abril.
A principal reivindicação é a reposição das perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Segundo os docentes, a defasagem salarial chega a cerca de 52%, resultado de reajustes parciais ou inexistentes na última década. Dados apresentados pelo sindicato indicam que apenas em 2023 houve recomposição integral da inflação do período.
Outro fator que pressiona a mobilização é o calendário eleitoral. Pela legislação, a partir de 5 de abril, o poder público fica limitado para conceder reajustes, exceto a reposição inflacionária prevista na data-base de 1º de maio. Por isso, os professores anteciparam o movimento para tentar garantir negociação antes do prazo.
A categoria também aponta o impacto da carga tributária sobre os salários, que inclui descontos previdenciários e imposto de renda. Segundo o sindicato, isso reduz o poder de compra dos docentes e afeta indiretamente a economia local.
Além da questão salarial, os professores defendem que a valorização da carreira é essencial para manter a qualidade do ensino, da pesquisa e das ações de extensão desenvolvidas pela universidade. Em Francisco Beltrão, por exemplo, a instituição forma profissionais em diversas áreas e mantém atividades em escolas, hospitais e comunidades.
Um ato estadual foi realizado no dia 17 de março, em Curitiba, reunindo representantes das sete universidades públicas do estado. A mobilização busca abrir diálogo com o governo, que, segundo os docentes, não ocorria de forma efetiva há cerca de quatro anos.
A categoria aguarda uma resposta oficial até o início de abril. Caso não haja avanço nas negociações, uma nova assembleia deve definir pela paralisação total das atividades nas universidades estaduais.