População idosa de Palmas dobrou nos últimos anos e especialista alerta para novos desafios
Série de entrevistas da Rádio Club aborda envelhecimento e longevidade.
RBJ TV e Especial PublicitárioSaúde
O Censo Demográfico 2022 revelou que a população idosa de Palmas, Sul do Paraná, praticamente dobrou em 12 anos. Hoje, quase 6 mil palmenses têm 60 anos ou mais, o que representa 12,3% da população. O índice de envelhecimento do município passou de 24% para 51% nesse período, sinalizando uma transformação demográfica que traz desafios para famílias, profissionais de saúde e para a sociedade como um todo.
Conforme o levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Palmas possuía uma população de 48,2 mil habitantes no ano de 2022, dos quais quase 6 mil estavam na faixa acima dos 60 anos, representando 12,3% da população total. Em 2010, os idosos eram pouco mais de 7%.
Índice de envelhecimento da população de Palmas dobra em 12 anos
Na outra ponta, a população com menos de 15 anos caiu de 13 mil, em 2010, para 11,4 mil em 2022. O resultado é que o chamado índice de envelhecimento, que compara o número de idosos com o de crianças e adolescentes, passou de 24% em 2010, para mais de 51%. Segundo o IBGE, esse fenômeno ocorre em todo o país e reflete dois fatores principais: a redução no número de filhos por família e o aumento na expectativa de vida da população.
Esse envelhecimento da população apresenta desafios, como o de proporcionar qualidade de vida para essa parcela de cidadãos, que se torna mais expressiva com o passar dos anos. O Departamento de Jornalismo da Rádio Club de Palmas produziu uma série de entrevistas, tratando sobre envelhecimento e longevidade.
A médica geriatra Izabela Stédile, que atua em Pato Branco e Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná, explica que o processo de envelhecimento começa bem antes da terceira idade. “Depois dos 30, 35 anos já começamos a ter mudanças ósseas, musculares e até de memória. Não se chega aos 60 de repente ‘velho’. Por isso, é fundamental um cuidado contínuo desde cedo, envolvendo saúde cardiovascular, força muscular e preservação cognitiva”, ressalta.
Segundo a geriatra, o avanço da medicina e a mudança no comportamento da população explicam em parte a longevidade atual. Porém, ela cita que diagnósticos de Alzheimer e outras demências, depressão e osteoporose têm se tornados comuns em sua rotina. Muitas vezes, essas doenças surgem de fatores como hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, alimentação desequilibrada e até isolamento social.
Ela lembra que a pandemia de Covid-19 acentuou os casos de demência e depressão, pois muitos idosos deixaram de ter convívio social, por medo da doença, e mesmo após a pandemia não conseguiram retomar suas rotinas. “O isolamento é um dos grandes fatores de risco para a saúde mental e cognitiva nessa fase da vida”, explica.
Izabela destaca que lidar com idosos em fases iniciais de demência é uma das maiores dificuldades relatadas pelas famílias. “Muitas vezes eles ainda são autônomos e não aceitam ajuda, mas já precisam de supervisão. Nesses casos, as famílias buscam alternativas como monitoramento remoto, mas em estágios mais avançados, o suporte de cuidadores ou instituições se torna inevitável”, reforçando a necessidade de políticas públicas e de uma rede de apoio mais estruturada.