Política e juventude, uma temática que gera grandes debates e nos submete a repensar no Brasil de amanhã. O que pretendemos deixar aos filhos, jovens que vão prosseguir com os trabalhos?

Há 70 anos a UPE (União Paranaense dos Estudantes) vem lutando por políticas públicas de qualidade aos jovens paranaenses, e recentemente elegeram uma mulher para comandar a entidade. Sendo a terceira mulher na história a liderar o movimento estudantil.

No pausa pro café de converso com a Presidenta da União Paranaense dos Estudantes, Elys Marina Zioli.

 

 

 

Francione – Elys gostaria que você nos contasse um pouco sobre os trabalhos da UPE no Paraná.

 

Elys – A UPE é uma entidade de 70 anos, que trabalha com os estudantes universitários do estado do Paraná. Tem uma série de conquistas que trouxe para os estudantes nesses dois últimos anos. A UPE foi precursora no Movimento Caça Fantasmas, que aconteceu na Assembléia Legislativa do Paraná. Ocupamos a Alep quando o governador Beto Richa quis terceirizar a saúde do estado e dentre outras conquistas. A UPE desenvolve hoje um papel fundamental nas universidades, a gente conseguiu nos últimos anos mudar a cara da universidade brasileira e dá acesso aquelas pessoas que realmente precisam, que não têm condições de pagar uma faculdade privada.

 

Francione – Neste mês aconteceu as eleições para nova diretoria, e você foi eleita para comandar a entidade, o significado em estar a frente da UPE e a linha de trabalho para esse mandato.

 

Elys – Ser a terceira mulher a presidir a União Paranaense dos Estudantes é um orgulho, mostra que as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço na sociedade e é uma forma de emancipação da mulher. É difícil para a gente que é mulher estar se colocando nesses espaços políticos. Foi o movimento “Bloco na Rua” que me apoiou, é um movimento nacional, lançado no começo do ano na Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Então esse movimento que me deu condições para que hoje eu pudesse presidir a UPE. Foi à eleição mais disputada nos últimos anos da entidade, foram três chapas, uma da oposição de esquerda, outro da unidade petista, e o outro foi o nosso movimento, que é independente, que abarca todos os estudantes que estão dispostos a construir uma nova universidade. 

 

Francione – Quais são as principais bandeiras de luta da UPE?

 

Elys – 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para educação, que é uma luta que começamos a defender a oito anos atrás, parecia inacessível para aos estudantes, mas a gente já conseguiu ter o apoio da maioria dos movimentos sociais organizados e aprovar os 10% do PIB na Câmara dos Deputados em Brasília. A nível estadual tem várias pautas nas universidades que agora estão sendo federalizadas. Por exemplo, a UNESPAR, que eles juntaram todas as universidades que sobravam e criaram UNESPAR que é muito carente, não tem classe e assistência estudantil. É muito fácil a gente entrar na universidade, o difícil é permanecer nela, então esses programas são lutas diárias na União Paranaense dos Estudantes para que a gente possa possibilitar ao estudante permanência na universidade para que possa sair sendo transformadores da sociedade.

 

Francione – Para o estudante que quiser conhecer mais sobre o movimento, quiser participar o que ele deve fazer?

 

Elys – Agora no dia 29 de maio a 02 de junho, vamos para o Congresso da União Nacional dos Estudantes, é a etapa nacional do que aconteceu no Paraná. Vamos eleger o novo presidente da UNE e votar as propostas que o movimento estudantil vai defender. Quem tiver interesse pode encontrar a gente através das redes sociais, tem o blog da UPE, www.upepr.blogspot.com.br e no Facebook pode chamar para conversar, a gente liga e vai conversando para que possa trazer mais gente para continuar na luta.