Caso siga a média das últimas cinco eleições gerais, o município de Palmas, Sul do Paraná, deverá registrar uma abstenção de, aproximadamente, 21% no pleito deste ano. Ou seja, 6,5 mil eleitores podem deixar de ir às urnas no dia 07 de outubro. As informações foram levantadas pelo RBJ junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Entre as eleições de 1998 até 2018, o eleitorado palmense cresceu 50,9%, passando de 20.155 para 30.407 votantes. Entre os pleitos eleitorais realizados nesse período, o índice de abstenção variou entre 17%, o menor patamar, chegando a 24%, em 2010, o maior índice.

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Para estudiosos das Ciências Políticas, os motivos que levam o eleitor a não votar são desconhecidos. Numa avaliação feita pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Manoel Leonardo Santos, em 2014, “as razões que movem o eleitor são uma esfinge”. Ele aponta que alguns eleitores “votam por algum sentimento de pertença, ou porque acham importante a democracia, e uns votam só porque é obrigatório”.

Essa obrigatoriedade do voto é apontada como o principal motor da participação eleitoral no Brasil. No entanto, o pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Alcir Almeida, aponta que o “voto obrigatório significa comparecimento obrigatório”, já a reflexão do eleitor sobre a importância do seu voto “é outra história”.

Os escândalos de corrupção que se desencadearam nos últimos anos, sobretudo a Operação Lava-Jato, também podem contribuir para essa fuga de eleitores. Nas eleições de 2014, por exemplo,  27 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Outras 13 milhões de pessoas foram até os locais de votação e apertaram o número zero ou a tecla em branco na hora de apontar sua escolha para presidente da República. Somados, brancos, nulos e abstenções atingiram 40 milhões de votos.

Para o professor Paulo Calmon, diretor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), por conta das características das eleições deste ano, o número de eleitores que deixarão de escolher um dos candidatos pode ser ainda maior. Ao jornal Correio Braziliense, o estudioso afirma que “é uma tendência na política brasileira o crescimento desses brancos e nulos. Isso pode ser ainda mais intenso por conta das circunstâncias da campanha”. Além disso, aponta que “o sistema político brasileiro está em crise e temos um descrédito com os governantes”.

Preocupado com essas projeções de altos índices de abstenções, o TSE fará uma campanha de incentivo para que os eleitores compareçam às urnas. O tema não está entre os que a lei obriga o tribunal a divulgar e será a primeira vez que receberá atenção. As peças publicitárias serão baseadas em uma frase do ex-presidente da Corte, Luiz Fux, alertando o eleitor que “Se você não escolher, alguém escolherá por você”.

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