O possível afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e ascensão de Michel Temer (PMDB) à Presidência da República trarão melhorias para o cenário econômico nacional, mas o plano de governo de Temer poderá trazer sérias consequências em áreas essenciais, como saúde e educação. A avaliação é do economista Edmundo Pozes, que aponta uma série de fatores para a aceleração da economia, com a baixa do dólar e do índice de inflação e o crescimento das bolsas valores.

Salienta que o Brasil enfrenta uma crise cíclica, crise essa que já estava em seu estágio final e que iniciava um processo de retomada. “Já estávamos na ponta do ciclo, a situação estava começando a melhorar naturalmente e agora vai acelerar esse laço da economia”, aponta.

Governo Michel Temer

Caso assuma as rédeas do país, Michel Temer deverá governar tendo a chamada “Ponte para o Futuro”, como mapa de ações. O documento, publicado em outubro de 2015, segundo o PMDB, “destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos.”

Dentre os pontos elencados no documento, estão:

– Que o orçamento aprovado pelo Congresso seja cumprido pelo governo.

– Que os índices constitucionais a serem aplicados em saúde e educação sejam extintos. A cada ano seriam estabelecidos no orçamento os valores para cada área.

– O fim de todas as indexações, inclusive para salários e previdência. A cada ano, Congresso e executivo definiriam os reajustes que serão concedidos.

– Que seja criada uma idade mínima de aposentadoria do INSS: não inferior a 65 anos para homens e 60 para as mulheres.

– O fim da indexação de benefícios ao salário mínimo.

– Mudar a política externa brasileira negociando acordos comerciais com Estados Unidos, Europa e Ásia com ou sem a participação do Mercosul.

– Voltar ao regime de concessões na área de petróleo, em vez do de partilha, dando à Petrobras o direito de preferência

– Privatização do que for necessário para reduzir o tamanho do estado.

– Simplificar e reduzir o número de impostos, unificando a legislação do ICMS.

– Garantir segurança jurídica para investimentos e criação de empresas, aprimorando a concessão de licenciamentos ambientais.

– Nas negociações entre patrões e empregados, os acordos coletivos prevaleceriam sobre as normas legais, resguardados os direitos básicos.

Sobre as medidas defendidas pelo PMDB, Pozes demonstra preocupação, principalmente nas áreas da saúde e educação. Na sua opinião, o modelo pretendido por Temer, assemelha-se à ideologia do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que governou o país entre 1995 e 2002. “Eu fui proprietário de instituições de ensino superior, fui diretor de empresas da iniciativa privada e por muito tempo defendi o setor privado. Mas nos últimos seis anos em que estou em Palmas atuando na rede federal de ensino, eu pude perceber o quanto eu estava errado. No passado, eu via que apenas as pessoas com recursos intelectuais e financeiros, mereciam melhores condições. Hoje não, toda a população merece igualdade. Governos como aquele que eu defendi, privilegiam apenas pessoas com alto poder.”, critica.

Segundo Pozes, saúde e educação transfomaram-se em negócios, com o Estado entregando parte de suas atribuições à iniciativa privada. “O meu temor é que isso volte a acontecer. Na educação, por exemplo, eu abri duas faculdades porque o governo incentivava! A gente abria uma portinha e eles já entregavam as autorizações. Hoje, apesar de todas as falhas cometidas por Dilma e Lula, a educação federal se estendeu pelo Brasil inteiro assustadoramente, no bom sentido.”, aponta, citando o exemplo da atuação do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia em Palmas, Sul do Paraná.

Sobre a possibilidade de uma nova eleição para a Presidência da República, Pozes também demonstra preocupação, pela forma com que a oposição tem trabalhado para a derrubada do Governo Dilma. “Temer e Cunha são raposas velhas, Aécio Neves tem uma longa história na política, além de um histórico de vida agressivo. A oposição tem agido com violência e por isso não consigo ver um cenário positivo com essas pessoas.”, comenta.