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Opositor ferrenho ao governo Beto Richa, o senador Roberto Requião (MDB) lamentou a situação do Paraná, diante do escândalo dos pedágios, desencadeado na última semana, através da Operação Lava Jato. Em entrevista à Rádio Club de Palmas, Sul do Estado, o parlamentar acusou agentes públicos, tanto do Executivo como do Legislativo, de serem financiados pelas concessionárias de pedágio. Porém, não soube explicar como recebeu doação, nas eleições de 2014, de empresa ligada ao esquema investigado.

Segundo Requião, no período em que esteve à frente do governo paranaense, entre 2003 e 2010, ingressou com 42 ações judiciais contra aumentos propostos pelas concessionárias. Porém, aponta não ter tido apoio do Ministério Público (MP), nem do Poder Judiciário, que permitiam a elevação das tarifas.

Disse que Beto Richa, ao assumir o governo, retirou todas as ações, para buscar entendimento com as empresas de pedágio. “Isso tudo deu no que deu agora. Parece que o governo inteiro está envolvido em corrupção”, afirmou e questiona a atuação do MP e do Judiciário: “Por que o MP só mexeu nisso agora? Por que eu não tive o apoio que precisava?”

Ao analisar o cenário, Requião defendeu o fim do financiamento privado nas campanhas eleitorais. Acusou os agentes públicos que, ao receberem doações de empresas que administram o pedágio no Paraná, passam a responder aos interesses desses financiadores. “Governador eleito com dinheiro do pedágio, passa a responder ao pedágio e esquece de seus compromissos de campanha. O mesmo vale para deputados que, eleitos com dinheiro da corrupção, passam a ser mandaletes, prepostos de seus financiadores”, disparou. Ouça:

 

No entanto, nas eleições de 2014, quando disputou o governo do estado, Requião recebeu R$ 50 mil da Construtora Triunfo S/A, empresa ligada à Econorte*, que segundo as investigações do Ministério Público Federal é uma das empresas envolvidas no suposto desvio de pelo menos R$ 63 milhões das concessões de pedágio do Paraná.

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Questionado, o senador não soube explicar a origem da doação. “Preciso ver isso. Eu acredito que não recebi, porque eu guerreei com essa construtora. Se entrou, entrou pelas portas do fundo”, disse. Ouça:

 

Ao final da entrevista, reafirmou desconhecer a doação. “Tenho dúvida, vou dar uma olhada, porque me opus muito ao jogo da Triunfo, mas vou ver isso. Obrigado pela advertência”, finalizou.

 

Após a entrevista, o senador manteve contato telefônico com o Departamento de Jornalismo da Rádio Club, reconhecendo que, de fato, recebeu doação da empresa, mas afirmou que não tinha conhecimento, pois as contas de campanha estavam sob a responsabilidade de sua equipe de coordenação.

*A Triunfo Participação e Investimentos, controladora da Econorte, em nota, nega irregularidades e diz que sempre contribuiu de “forma transparente” com todas as autoridades e que está à disposição para esclarecer os fatos apurados pela Operação Integração. Afirma ainda que por ter capital aberto (ações negociadas na bolsa) os seus resultados financeiros – e de suas controladas – são públicos e auditados. Sobre a Construtora Triunfo S/A, a companhia disse que tem administração distinta.