Mais uma vez, um tapa na cara de todos nós. Foi na última semana quando aconteceram as eleições para as presidências e mesas diretoras do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, as casas legislativas que representam todos nós, os brasileiros.


Com o apoio de uma penca de partidos (que serão devidamente bem recompensados) o peemedebsita Renan Calheiros voltou à presidência do Senado Federal com o apoio de 56 dos 81 senadores. Calheiros volta ao posto, que é o quarto na sucessão da Presidência da República, após renunciar o mandato em 2007 por acusações por peculato, falsidade ideológica e desvio de dinheiro público.


Editoriais, colunas, posts e indignação quase que geral no sofá da família brasileira é o que não faltou, mesmo a eleição de Renan sendo mais do que previsível pelo menos desde setembro de 2012. Um abaixo assinado, que desde a semana passada está recolhendo assinaturas, visa pedir o impeachment do senador alagoano. Nesta segunda feira a petição atingiu a marca de mais de 1 milhão e trezentos e sessenta mil signatários. Sabe no que isso vai dar? Em nada.


Primeiro porque é importante lembrarmos que antes de ser escolhido por seu pares para ser novamente presidente do Senado, Renan Calheiros foi escolhido, legitima e democraticamente, por eleitores – como eu e você – que o delegaram para oito anos de mandato, em mais uma das suas três eleições para a câmara alta – ele está no posto desde 1994.


Em segundo lugar, quem vai julgar um possível pedido de impeachment de Renan Calheiros são os próprios senadores que o elegeram como presidente. Não podemos esperar que os políticos mudem algo em um sistema que lhes beneficia.


Apenas estes dois fatos já seriam plausíveis de aceitar o fato de que Renan continuará, belo e formoso, na presidência do Senado e sairá impune e ileso das acusações que contra ele são feitas. Mas há outro motivo e quem sabe é o mais forte: o sistema político eleitoral brasileiro permite que isto aconteça como se fosse algo comum, e o pior, dentro da lei.

 

De nada adiantarão petições online, compartilhamentos indignados no Facebook ou hastags no trending topics do Twitter. A internet e pontos jurídicos são apenas ferramentas. Sem pressão popular, que venha das ruas, das universidades e das instituições civis para que sejam feitas reformas estruturais no Brasil, principalmente a reforma política, teremos mais e mais vezes o desgosto de ver indivíduos como os Renans e Sarneys assumirem altos postos em funções que afetam a vida de todos nós brasileiros.

 

E mais ainda do que isso, precisamos que estas reformas e a consciência política comecem por nós mesmos, no dia-a-dia.