“Eu desejaria que todos aqueles que ocupam cargos públicos, todos renunciassem, como um ato de coragem, de vergonha pelos últimos anos da política brasileira. Se depender de mim, não vou colaborar com a reeleição de ninguém!”. A opinião é do bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, Dom Edgar Ertl, ao analisar o atual cenário brasileiro e as perspectivas para as eleições de 2018.

Para ele, a Igreja, como instituição, especialmente no Ano Nacional do Laicato, tem o dever de preparar os leigos para a participação na política, não somente como eleitores, mas também no exercício de cargos públicos. Avalia Dom Edgar que a política brasileira tornou-se atividade profissional, com a perpetuação de figuras conhecidas no poder.

Ressalta que a política é algo inerente ao ser humano, não podendo ocorrer a aversão, mas também “não deveríamos cair no que estamos vendo hoje, esta politicagem servindo como cabide de empregos”.

Explica Dom Edgar que a Diocese de Palmas-Francisco Beltrão seguirá as orientações da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), pedindo para que os eleitores sejam mais exigentes para com seus candidatos, reforçando a necessidade de renovação dos ocupantes das casas legislativas e palácios executivos. “Vamos começar, quem sabe, em 2018, uma nova configuração política no país, no Paraná e na nossa região”, exorta.

Lembra ainda, que nos últimos meses, é corriqueira a presença de deputados, distribuindo veículos, recursos, obras. “Trazem de bandeja, não falta dinheiro pra nada, aparentemente. Mas, quando ouço o relato de uma senhora de 82 anos, que precisa sair de Capanema às 20h para chegar em Curitiba de manhã, para ser atendida por um médico que atende 50 pacientes numa manhã, em me pergunto: Que saúde é essa? Que política pública é essa? De fato, do modo que fazemos política, não dá mais!”, desabafa o bispo diocesano. Ouça: