Há aproximadamente três meses, um dos incontáveis casos de corrupção registrados no Brasil, chamou atenção pela ironia do destino. No domingo, dia 17 de abril, o país parava para acompanhar a votação sobre a admissibilidade do processo de Impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados.

Foto:Reprodução/Facebook
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Entre os votos pelas “mães, pais, avós, filhos, netos” e afins, a deputada federal pelo Estado de Minas Gerais, Raquel Diniz (PSD), manifestava o seu voto favorável à abertura do processo contra a presidente da República, citando o seu marido, Ruy Muniz (PSB), prefeito de Montes Claros, no Norte mineiro, como exemplo de gestor, transparente e “honesto”. No dia seguinte, o exemplo de honestidade era  preso preventivamente pela Polícia Federal, suspeito por fraude em licitações na área da saúde de seu município.

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Nesta quinta-feira (14), outro prefeito, dessa vez no Paraná, também casado com uma deputada, foi preso, suspeito de integrar esquema de corrupção. O chefe do Executivo de Foz do Iguaçu, Oeste paranaense, e ex-deputado estadual, Reni Pereira (PSB), foi preso na 4ª fase da Operação Pecúlio. A Justiça determinou o afastamento do cargo de prefeito. A esposa do prefeito iguaçuense, Claudia Pereira, ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná.

Polícia Federal e Ministério Público consideram Pereira o principal operador do esquema de desvio de dinheiro público da prefeitura. Em abril, ele já havia sido conduzido coercitivamente na primeira fase da operação, deflagrada no dia 19 de abril. Na ocasião, permaneceu calado, porém dias depois prestou depoimento à Justiça Federal.

Conforme as investigações iniciadas em 2014, o grupo formado por servidores, agentes políticos e empresários fraudava licitações, entre outros, para o asfaltamento de ruas e contratos na área da saúde. Seis investigados permanecem presos no município. Estima-se que os prejuízos com os desvios passem de R$ 4 milhões.