Com participação de diversas entidades representativas da sociedade civil e do poder público, das esferas municipal, estadual e nacional, ações integradas para o enfrentamento da exploração sexual contra crianças e adolescentes foram debatidas na manhã desta quarta-feira (15), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

O debate foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos da Alep, por proposição da vice-presidente e líder da bancada do PT, deputada Luciana Rafagnin, e do Fórum Paranaense de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A participação de entidades com grande responsabilidade na proposição e condução das ações, como Ministério Público, Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba e Secretaria de Ação Social de Foz do Iguaçu, Secretaria Municipal da Mulher de Curitiba e de representações do Estado, como Secretaria do Turismo e Secretaria Especial para Assuntos da Copa do mundo 2014, foi fundamental para dar início à mobilização.

“Nosso objetivo com esse debate é de integrarmos as ações, fazendo com que a Copa do Mundo 2014, ao propulsionar a união dos poderes em prol desse enfrentamento, nos deixe um legado positivo de organização e ações conjuntas, e que o trabalho prossiga, no sentido de reduzirmos até o fim, a violência infanto-juvenil em nosso Estado”, ressaltou a Luciana Rafagnin.

A presidente da FAS, Marcia Fruet, disse que os números que o município dispõe atualmente precisam ser atualizados, pois a estimativa é de que sejam superiores ao informado. Mas que é necessário o envolvimento de toda a sociedade na proteção das crianças e adolescentes. “Não podemos fazer vistas grossas, ou fazer de conta que isso não é problema nosso. Precisamos nos unir nesse enfrentamento para que ao final da Copa do Mundo 2014, fique marcado que, não somos coniventes com a violência contra crianças e adolescentes”, reforçou Marcia, observando que a FAS já está se mobilizando para fazer a prevenção, tanto que cada uma das nove regionais, passará a ter o serviço especializado de atendimento à criança e adolescente, em locais privativos, fora das ruas da cidadania.

“O evento da Copa do Mundo 2014 cria muitas expectativas de desenvolvimento, seja no comercio, seja na infraestrutura da cidade. Mas a realidade, a exemplo dos dados da África do Sul, onde ocorreu o último evento mundial, também traz problemas que criam um cenário de vulnerabilidade, principalmente para as nossas crianças e adolescentes”, avalia Douglas Morais, membro do Conselho Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, através da Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda).

Para a coordenadora da Secretaria de Estado do Turismo, Ana Thereza Kastrup, a questão da invisibilidade da exploração se dá quando ela não é mencionada “tanto é assim, que o termo turismo sexual não existe dentro do turismo, entretanto, na prática sabemos que é uma realidade”, acrescentou Ana. Ela disse que sua secretaria está fazendo um trabalho de conscientização junto ao Sindicato dos Hotéis e Similares de Curitiba (Sindotel), inclusive, incentivando para que capacitem os profissionais com os cursos do Pronatec do Governo Federal.

Também representando o governo do Estado, o chefe de gabinete da Secretaria Especial para Assuntos da Copa do mundo 2014, Ivan Vinicius, defendeu que as ações das câmaras temáticas que sua secretaria vem realizando já contemplam as sugestões trazidas pelos participantes. “Das nove câmaras temáticas que criamos, cinco tratam sobre o tema que tratamos hoje aqui”, informou Ivan.

Já, o promotor Murillo Digiácomo do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente, do Ministério Público do Paraná, disse que a sensação dele e demais representantes dos centros de defesa e proteção à criança, como membros dos conselhos Tutelares e Conselho Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é de que as ações preventivas de proteção à criança e adolescente ainda não estão acontecendo a contento no Estado. “Se estamos sentindo falta de mais participação da sociedade, por meio do órgão que represento, assim como outros segmentos manifestaram aqui, que também não estão participando, alguma coisa está errada. Queremos participar dos comitês e câmara temáticas que tratam sobre a Copa do Mundo, para que as ações preventivas para o enfrentamento sejam consideradas”, solicitou o promotor.