As denúncias que bombardearam o Planalto Central na última semana poderão representar sérios riscos para a economia brasileira e reduzem, significativamente, as chances das reformas propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB) serem aprovados pelo Congresso Nacional. A análise é do Doutor em Sociologia, Doacir Gonçalves de Quadros, que, em entrevista à Rádio Club de Palmas, Sul do Paraná, avalia que as manifestações sociais e o racha na base governista, colocam em cheque a governabilidade do peemedebista. Ouça a entrevista clicando aqui.

Diante disso, Temer ainda enfrenta os questionamentos da opinião pública e os pedidos de impeachment, até mesmo de lideranças que há pouco o apoiavam, exemplo do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Na última semana, o parlamentar criticou o posicionamento do presidente em não renunciar ao mandato. “Entre a crise e a imunidade institucional, o presidente optou pela imunidade institucional. Infelizmente, o presidente não deixa outra opção ao Congresso que não seja o impeachment”, afirmou Caiado.

Para Quadros, essas declarações ressaltam a fragilidade do governo, além de induzir parte do Congresso a seguir o posicionamento dessas lideranças, que pedem o afastamento do presidente. “O peso de uma fala do senador Caiado, se coloca como um exemplo muito claro das dificuldades que serão enfrentadas pelo Temer no Congresso Nacional”, analisa.

Nesse cenário de crise, Quadros alerta para duas situações que podem ocorrer. A primeira delas é o fortalecimento da imagem de personagens que sonham subir a rampa do Palácio do Planalto e receber a faixa presidencial e para isso utilizam-se de discursos extremos, à exemplo do deputado federal Jair Bolsonaro. Po outro lado, também corre-se o risco do surgimento de um “salvador da pátria”. “É possível. Enfrentamos uma crise política, a desconfiança da população nas instituições, então há possibilidade de nos próximos meses, veremos lideranças surgirem como ‘salvadores’”, considera.

No entanto, as discussões abrem espaço para uma outra via, onde personalidades que não fazem parte do jogo político ganham os holofotes e são apontadas como opções para tirar o Brasil da crise. Entre esses nomes aparecem o da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Carmen Lúcia, os ex-ministros Joaquim Barbosa e Nelson Jobim, e até o apresentador de televisão, Luciano Huck.

Avalia Quadros que esses nomes ganham força por, justamente, terem construído suas reputações fora da política. “Essa crise de representação tem um efeito central, que afeta a reputação e a confiança dos partidos e suas lideranças. Assim, a saída para esses partidos é buscar fora do cenário, pessoas que possuam reputação e confiança junto à opinião pública.”, aponta.

Conforme ele, os últimos episódios vivenciados pela população brasileira fazem parte de um roteiro iniciado em 2013, com as manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas, cobrando um comportamento ético dos representantes políticos. “Parece-me que os nossos representantes não levaram à sério, porque ainda vemos políticos participando de atos de corrupção. Por isso, é necessária essa higienização. Eu vejo de maneira positiva, porque haverá um processo de transformação, de melhoramento da nossa democracia num período de médio a longo prazo.”, finaliza.