A Polícia Civil da Comarca de Barracão, na Fronteira com a Argentina, elucidou nesta quarta-feira (8) a morte de uma criança de apenas 3 anos de idade, registrada em Bom Jesus do Sul no último domingo (5). De acordo com o delegado Emerson Ferreira, que preside o caso, Alexander teria sido espancado pela mãe e o padrasto. O menino chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu ao dar entrada no hospital em Dionísio Cerqueira (SC).

  • Compartilhe no Facebook

Alexander chegou morto no hospital de Dionísio Cerqueira (SC), no domingo (5). Foto: Arquivo familiar

Inicialmente o casal afirmou que o menino tinha sido vítima de um acidente doméstico, porém diante de evidencias apresentadas pela perícia e também no exame de necropsia, ambos confessaram o crime, alegando que espancaram a criança. Segundo laudo do IML de São Miguel do Oeste (SC), a vítima apresentava hemorragia aguda, rotura de fígado, rotura de rim esquerdo, traumatismo craniano, contusão em pulmão esquerdo e hemorragia abdominal e outros vários hematomas pelo corpo, sendo a hemorragia a causa da morte.

Conforme depoimento da mãe, identificada como Fernanda, o padrasto, de nome Paulo, consumava agredir o menino por vários motivos, dentre eles quando a criança chorava pedindo comida, em especial “revirado”, que era sua preferida. O padrasto confirmou este fato e disse que por muitas vezes “perdia a cabeça” e acabava por agredir a criança com tapas e socos, contudo, afirmou que a mãe também agredia o filho com tapas e com uma vara.

Paulo contou que no dia do crime, por volta de meio dia, se irritou porque viu a criança mexendo em embalagens de veneno e a agrediu com vários socos na região abdominal e costelas, do lado esquerdo. Após isso a criança não ficou bem, vomitou, defecou e estava meio tonta. Ele então levou a criança para dar um banho no intuito de obter alguma melhora, contudo, o quadro só piorava, pois ela apresentava dificuldade para respirar e começou desfalecer, ficando desacordada. O padrasto ainda afirmou que tentou reanimá-la com massagem cardíaca e a socorreu em um veículo, porém, ainda no trajeto percebeu que não estava mais respirando.

A mãe disse que no momento dessa agressão estava do lado de fora da casa e quando percebeu a criança chorando correu para dentro e pediu que o companheiro parasse de agredi-la. Já o homem contou que após ter agredido a criança, a mãe também a agrediu, porém, não viu como se deu essa agressão.

  • Compartilhe no Facebook

Policiais Civis e Peritos estiveram na tarde desta quarta-feira (8), na casa onde aconteceu a agressão da criança. Foto: Polícia Civil

Conforme o delegado Emerson Ferreira, na tarde desta quarta-feira (8), a Polícia Civil e o Instituto de Criminalísticas estiveram na casa do casal, na linha São Paulo, para realização do exame perícia criminal, que será anexado ao inquérito policial. “Embora haja pequenas contradições nas versões da mãe e do padrasto uma coisa é certa: foi um crime brutal, abjeto e repugnante, que vitimou um anjo de apenas três anos de idade. Nós que trabalhamos na área de segurança lidamos diariamente com crimes e situações dramáticas, afinal, é este nosso mister, talvez por isso sejamos mais “insensíveis” às mazelas humanas. Contudo, quando nos deparamos com tamanha barbaridade, perpetrada por aqueles que tinham o dever moral e legal de proteção e cuidado, o crime ganha contornos de hediondez inenarráveis, de forma que se torna impossível não se emocionar com os fatos. Tirar a vida de uma criança de forma tão brutal e sem motivo algum revela a face mais obscura e cruel da personalidade humana. O caso ganha ainda mais dramaticidade quando se conhece um pouco da história do garoto, que nas palavras do avô adotivo era uma criança: inteligente, divertida, falante e feliz. Infelizmente, nem mesmo em seu velório, último ato de despedida, o garoto teve a atenção que merecia, sua mãe não pode comparecer porque estava presa e seu pai não obteve autorização para atravessar a fronteira. Assim, acompanharam o ato poucas pessoas, quase todas desconhecidas (prefeito, conselheiros tutelares, agentes de saúde etc), não haviam parentes, amigos ou pessoas próximas. E dessa forma aquele anjo se despediu da vida e foi chamado ao céu”, disse o delegado.

O casal está preso temporariamente pelo prazo de 30 dias e, após a conclusão das investigações, ficará a disposição da Justiça para responder pelo crime.

Da redação, com informações e fotos cedidas pela Polícia Civil