Novos produtos de nicotina preocupam especialistas e se popularizam entre jovens
Vapes, tabaco aquecido e sachês ilegais ganham espaço com forte apelo nas redes sociais
Saúde
por Ana Andrade
Depois de anos de queda no número de fumantes, o Brasil voltou a registrar aumento no consumo de produtos com nicotina, principalmente entre jovens.
Especialistas apontam que o crescimento está ligado aos cigarros eletrônicos, dispositivos de tabaco aquecido e aos sachês de nicotina, vendidos com aparência moderna e forte apelo nas redes sociais.
E também aos sachês de nicotina, que são pequenas bolsas colocadas entre a gengiva e o lábio, liberando nicotina diretamente pela boca. Apesar de não produzirem fumaça ou cheiro forte, médicos alertam que eles continuam causando dependência química e podem trazer riscos à saúde, especialmente para adolescentes e jovens, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento.
Segundo especialistas, a nicotina pode afetar memória, concentração, aprendizado e aumentar problemas emocionais, como ansiedade. Além disso, muitos jovens começam utilizando vapes ou sachês e acabam migrando para outros produtos com nicotina.
Outro ponto de preocupação é a forma como esses produtos são divulgados. Embalagens coloridas, sabores doces e publicidade associada à tecnologia e estilo de vida ajudam a criar a falsa sensação de que seriam menos prejudiciais que o cigarro tradicional. Influenciadores digitais também contribuem para a popularização do consumo.
No Brasil, a Anvisa proíbe desde 2009 a fabricação, importação, propaganda e venda de cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido. Os sachês de nicotina também não possuem autorização para comercialização no país e são vendidos ilegalmente pela internet e comércio informal.
Médicos e entidades de saúde reforçam que cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido também oferecem riscos ao pulmão, coração e sistema respiratório. Mesmo sem fumaça intensa, os dispositivos contêm substâncias tóxicas e podem causar danos à saúde.
O principal desafio é mostrar que, apesar da aparência moderna, os novos produtos continuam trazendo os mesmos perigos da nicotina.