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04 de setembro de 2026
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MPF denuncia integrantes de quadrilha que atuava no tráfico internacional de pessoas em União da Vitória

Criminosos utilizavam casa noturna no município para exploração sexual de mulheres estrangeiras.

JustiçaSegurança

por Guilherme Zimermann

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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas, suspeitas de integrar uma organização criminosa que atua no tráfico internacional de pessoas, além da submissão de trabalhadores à escravidão. A rede criminosa utilizava uma casa noturna no município de União da Vitória, Sul do Paraná, para a exploração sexual de mulheres estrangeiras.

O caso é conduzido pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF. Segundo a denúncia, decorrente da Operação Labareda, as vítimas eram recrutadas no Paraguai por meio de falsas promessas de trabalho. Quando chegavam ao Brasil, eram submetidas à exploração sexual, controle por meio de dívidas, cobranças e restrições à liberdade.

Além disso, eram obrigadas a pagar multas abusivas por condutas como recusa de atendimentos, desorganização, discussões ou intenção de deixar o estabelecimento com pouco tempo de atividade. As multas variavam entre R$ 500 e R$ 5 mil e eram anotadas em cadernos para controle dos criminosos. Segundo a denúncia, a penalidade tinha como objetivo dificultar a saída das vítimas da situação de exploração.

De acordo com as provas, após a fuga de uma das mulheres, a organização criminosa passou a agir com violência extrema contra as vítimas e testemunhas. Como parte das estratégias para intimidar e dificultar as investigações, os denunciados planejaram e executaram o sequestro de uma das vítimas, que conseguiu escapar ao se jogar do veículo em movimento em via pública. Além disso, passaram a enviar mensagens de teor intimidatório a familiares da mulher no exterior.

O grupo criminoso também provocou um incêndio em uma casa noturna enquanto duas testemunhas dormiam no local. Segundo o MPF, o incêndio foi planejado e tinha como finalidade provocar a morte das duas pessoas, que conseguiram escapar a tempo.

A denúncia foi apresentada com base em laudos periciais, análises telefônicas e registros de videomonitoramento. Além dos crimes de tráfico internacional de pessoas e submissão de trabalhadores a condições análogas à de escravo, o MPF pede a condenação dos réus por: organização criminosa transnacional armada; rufianismo (tirar proveito financeiro da prostituição de outra pessoa); manutenção de casa de prostituição; sequestro; lesão corporal; roubo e tentativa de homicídio qualificado. A denúncia pede ainda que os acusados sejam obrigados a reparar os danos materiais e morais causados às vítimas.

A denúncia foi recebida pela Justiça Federal do Paraná, dando início à ação penal contra os réus. O caso tramita em sigilo, para preservar a intimidade das vítimas.

Fonte: MPF

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