Morre aos 83 anos o cantor missioneiro Pedro Ortaça
Último integrante do chamado “Tronco Missioneiro”, artista deixa legado histórico na música gaúcha
Educação e Cultura
por Léo Willian
Morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 83 anos, o cantor e compositor Pedro Ortaça, um dos maiores nomes da música do Rio Grande do Sul e considerado o último integrante vivo do chamado “Tronco Missioneiro”. Segundo familiares, o artista sofreu três paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
Em entrevista à programação da rádio Onda Sul FM, o tradicionalista e comunicador Caludir Urbano relembrou que Pedro Ortaça enfrentava problemas de saúde há bastante tempo, principalmente em razão da diabetes. Segundo ele, o artista realizava sessões de hemodiálise e já havia passado por uma amputação em uma das pernas devido às complicações de doenças.
Pedro Ortaça ficou conhecido por representar a cultura missioneira através da música, levando para os palcos temas ligados às raízes do povo gaúcho, às Missões Jesuíticas e à valorização da identidade regional. Entre suas composições mais conhecidas estão “Timbre do Galo” e “Bailanta do Tibúrcio”. A última música lançada pelo cantor foi “A Pena Guarany”, em parceria com o filho, Gabriel Ortaça.
O chamado “Tronco Missioneiro” foi formado por Pedro Ortaça (1942-2026) ao lado de Noel Guarany (1941-1998) , Jayme Caetano Braun (1947-1989) e Senair Maicá (1924-1999). O grupo ficou marcado por criar uma nova identidade para a música regional gaúcha, com letras voltadas às críticas sociais, à valorização da cultura missioneira e à história do Rio Grande do Sul.
Durante a entrevista, Caludir Urbano destacou ainda que Pedro Ortaça carregava como símbolo pessoal a cruz missioneira, presente em apresentações, capas de discos e também em suas canções. Segundo ele, o artista costumava dizer que a cruz simbolizava união, respeito e paz entre os povos.
Em 2025, Pedro Ortaça recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Santa Maria e também da Universidade Federal do Pampa, reconhecimento concedido pela contribuição cultural e histórica deixada pelo artista à música regionalista brasileira.
Pedro Ortaça deixa a esposa, Rose Ortaça, além de três filhos.
A morte do cantor repercutiu entre admiradores da cultura gaúcha e representantes do tradicionalismo em diversas regiões do Sul do país. Pedro Ortaça deixa um legado considerado fundamental para a preservação e fortalecimento da música missioneira no Brasil.
A cerimônia de despedida será realizada em Ijuí, cidade onde o cantor morava nos últimos anos em busca de melhor acompanhamento médico.