Poucas pessoas sabem a real situação que se encontra o local para prática de aeromodelismo em Francisco Beltrão. O local está sofrendo constantemente vandalismo, e os praticantes da modalidade estão preocupados com a situação, tanto que estão cogitando devolver o local para a prefeitura, antes que os custos aumentem.

Os aeromodelistas responsáveis pela manutenção da estrutura localizada no antigo Frigobel no bairro Padre Ulrico, relataram os acontecimentos para um de nossos repórteres. Segundo eles, as mesas usadas para a montagem e manutenção dos aviões, foram totalmente destruídas: “Tiraram os pés das mesas que estavam fixadas no chão com cerca de 50 cm cravados e chumbados de cimento e simplesmente jogaram perto do local. A biruta que estava posicionada em cima do coberto, foi arrancada e queimada”.

Toda estrutura foi danificada, como conta um dos aeromodelistas: “Na parte coberta do clube, ficava a cozinha e banheiros. Os vândalos arrancaram a pia do banheiro e quebraram o vazo sanitário. As portas foram levadas embora, arrombaram e entortaram as portas de ferro que dão acesso ao banheiro. Arrebentaram o forro. Tínhamos uma caixa d’agua para pegar água da chuva, porque nós não temos água, eles furaram a caixa que estava em cima das tábuas, a água vazou e agora levaram a caixa embora”.

(Veja o vídeo de como é a prática da modalidade)

A situação está realmente insustentável: “Nós somos intrusos ali, não podemos estar ali, com o kartódromo vai acontecer a mesma coisa. Vamos fazer uma reunião com o presidente, porque nós não somos aceitos naquela terra”.

A vontade de desistir aumenta cada vez que eles retornam ao local e se deparam com a destruição de tudo que haviam organizado: “Todo final de semana, no meio da semana, eles voltam e fazem essa baderna. Já quebraram 20 árvores que nós tínhamos plantado e agora começaram a arrancar os palanques das cercas. Não dá para deixar nada lá”.

Tais atitudes entristecem os praticantes da modalidade, afinal a pista do local é excelente e não poder aproveitá-la com segurança é lamentável: “Temos uma pista de 150 m de grama, um piloto experiente de avião consegue pousar e decolar um avião ultraleve sem dificuldades. Hoje a grama é um tapete. A CEDR é um lugar lindo, um lugar bonito para passar um final de semana. Mas não podemos ter nada lá, nem churrasqueira, por que acontece isso”.

Os aeromodelistas fazem um apelo a comunidade, para que ajudem a conservar o local, que não pertence somente a eles, mas sim ao município: “Não estamos proibindo ninguém de ir lá, podem ir se divertir, nos ajudar a cuidar, podem participar quando estivermos lá, ficaremos agradecidos se ajudarem a cuidar. Esse é um patrimônio do município”.

Eles ressaltam que caso a prefeitura decida tirá-los de lá, precisaram devolver nas mesmas condições que receberam. Porém, o receio de que os custos se tornem cada vez maiores, faz com que pensem em devolver o local e desistir da prática no mesmo.

“Nós temos um acordo de comodato e temos que respeitá-lo. Rege no contrato que temos que devolver o patrimônio conforme recebermos. Uma cláusula justa, mas estamos pensando em devolver agora para o município enquanto os custos estão baixos por causa das destruições. Aliás, não tem mais nada além do coberto. Levaram um sofá esse final de semana e tentaram colocar fogo para queimar a cobertura”.

Além da destruição do local os praticantes sofreram ameaças: “Tivemos três tiros em um aeromodelo, mas não sabemos quem foi. No momento em que eles atiraram, a gente viu no local onde vai ser o kartódromo, um carro funcionar e sair em alta velocidade”.

A tristeza bate por saber que todo o carinho e cuidado na manutenção são feitos em vão, já que toda vez que retornam, constatam vandalismo. “Ficamos tristes sabendo que a gente trabalha no sábado e domingo, colocando mesa e palanque, arrumando, pintando, caprichando para ter um lazer e chega nesse ponto. É muito triste”, lamenta um dos usuários do local.

Ainda há esperança de que as coisas melhorem, mas isso só será possível no momento em que o kartódromo for inaugurado próximo a pista. Assim, talvez tenha luz, água e melhores condições no local. Por se tratar de um projeto a longo prazo, não existem condições de permanecer no mesmo, e devolver o local para o município, segundo os aeromodelistas seria a opção mais sensata.

Confira o registro feito pelos praticantes da modalidade: