O Paraná, maior desmatador da mata atlântica nos últimos trinta anos, também foi o Estado que mais regenerou áreas desse bioma durante o período, de acordo com levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em todo o Brasil, 219,7 mil hectares foram recuperados nas últimas três décadas. O Estado foi responsável por 34% desse total.

O levantamento utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para monitorar remanescentes florestais acima de 3 ha. O estudo analisa a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Esse processo se deve tanto a causas naturais, quanto à indução por meio de plantio de mudas de árvores nativas. Em 30 anos, houve a redução de 83% do desmatamento no bioma.

Conforme a diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, sete (São Paulo, Goiás, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte) dos 17 estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero, ou seja, conseguiram manter níveis de perda de floresta no ano abaixo de 100 hectares.

Segundo ela, a partir de agora o desafio é recuperar e restaurar as florestas nativas. Salienta que, embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, se ocorreu de forma natural ou decorre de iniciativas de restauração florestal, é um indicativo de que o país está no caminho certo da preservação ambiental.