O foco na preservação de exemplares adultos e a inexistência de políticas públicas direcionadas ao plantio de novas árvores poderão levar a araucária, símbolo do Paraná, à extinção dentro de um período de 120 anos. O alerta é do professor da Universidade Federal do Estado (UFPR), Flávio Zanette, que há 30 anos estuda a espécie, sendo a maior autoridade do país no assunto. Ele também foi o desenvolvedor da tecnologia do pinheiro de proveta.

De acordo com o especialista, a legislação atual está focada na preservação dos pinheiros já existentes, mas ele reforça a necessidade de, paralelamente, incentivar o plantio de novos exemplares. De acordo com seus estudos, atualmente restam menos de 3% das matas originais do Estado. Ele afirma que se não houver um trabalho de plantio, os pinheiros sumirão em pouco mais de um século.

Dentro dessa necessidade, há cerca de 11 anos, Zanette implantou um programa de distribuição de mudas selecionadas na UFPR. No período, foram distribuídas mais de 70 mil mudas, plantadas em pelo menos 100 municípios paranaenses.

Além da doação de mudas selecionadas e do apoio para a enxertia, Zanette também trabalha no apoio ao plantio comercial da araucária, destinado à venda de pinhões. Segundo ele, em um hectare com 100 árvores, é possível alcançar uma produção anual de 5,6 mil quilos de pinhões. O problema é o tempo que a árvore leva para começar a produzir. Porém, a vida produtiva de um pinheiro pode ultrapassar os 80 anos.

Para o especialista, o ideal para combater a extinção das araucárias seria o plantio anual de 500 mil exemplares. Ele explica que o número é elevado, porque nunca foi realizado qualquer trabalho de ampliação da população de pinheiros no Paraná. No entanto, salienta que com políticas públicas adequadas, esse objetivo pode ser alcançado.