Uma iniciativa de preservação ambiental desenvolvida há nove anos pela ENGIE Brasil Energia na bacia do Rio Iguaçu, Paraná, é um bom exemplo de que parcerias bem planejadas e esforço continuado podem render bons resultados. Em 2010, a empresa iniciou um Programa de Proteção de Nascentes em pequenas propriedades rurais nos municípios lindeiros às Usinas Hidrelétricas Salto Santiago (UHSS) e Salto Osório (UHSO). Mais de 1,2 mil mananciais já foram preservados, com benefícios para 1,3 mil famílias.

O Programa está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) – mais especificamente, ao ODS número 6, “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos”. Para proteger cada nascente da contaminação, são utilizadas entre 3,5 e 4 toneladas de pedra basáltica e três sacas de cimento. Os recursos para o programa, oriundos do Fundo Especial para a Infância e Adolescência (FIA), apoiam ações de educação ambiental junto às escolas da região.

“É um investimento sustentável e muito barato em relação aos benefícios”, destaca o coordenador de meio ambiente da Regional do Rio Iguaçu da ENGIE, Clóvis Tosin da Silva. “A comunidade passou a usar água de boa qualidade, o que evita a propagação de doenças e protege os recursos naturais”. Parcerias firmadas entre a ENGIE, entidades sociais e prefeituras viabilizam o programa. A empresa entra com apoio financeiro e acompanhamento técnico, enquanto as prefeituras contribuem com mão-de-obra e maquinário, e os proprietários das terras ajudam a cuidar do manancial.

Até o momento, o programa foi implantado em cinco municípios do entorno das duas usinas hidrelétricas. O mais recente é Porto Barreiro, de 3,3 mil habitantes, onde já foram protegidas 96 nascentes de um total de 200 previstas até 2020. “Um terço dos moradores vão ser beneficiados e isso faz a diferença”, diz a prefeita Marinez Croti. Ela conta que já houve ganhos concretos à saúde pública, com a redução do número de casos de rotavírus no posto de saúde e da contagem de bactérias na ordenha de leite. A produção leiteira – 1,8 milhão de litros mensais – é a segunda atividade econômica do município.

“Nossa vida melhorou muito”, conta João Alves Pedroso, que cria abelhas e cultiva erva-mate, milho e mandioca em uma pequena propriedade da Linha Wolff. “Antes eu precisava pegar água em outra fonte a 1 km de distância e às vezes a fonte secava, mas agora não falta mais água”, completa o agricultor de 79 anos. Jorge Pereira Matoso, morador da comunidade São Miguel, também está satisfeito: “Tenho certeza de que esta é uma parceria que deu certo”.

Horto, reflorestamento e povoamento de peixes

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Além do reflorestamento, a empresa também investe na proteção de nascentes. Foto de divulgação

Quando não existem mudas de plantas disponíveis para proteção da nascente, elas são fornecidas pelo horto florestal da Usina Salto Osório, construído há dez anos para recuperar uma área degradada de 2,5 hectares no antigo canteiro de obras. Mais de meio milhão de mudas da flora nativa da região já foram produzidas no local, em parceria com a prefeitura de São Jorge d’Oeste, que forneceu terra em troca de pedras para uso nas estradas vicinais. Em Salto Santiago, uma área de 7 hectares também foi recuperada junto com a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu, em projeto que já recebeu dois prêmios ambientais.

Todos os anos, em torno de 50 mil mudas de plantas são distribuídas aos 12 municípios lindeiros das usinas. As 50 espécies disponíveis incluem bracatinga (Mimosa scabrella), canafístula (Peltophorum dubium), cedro rosa (Cedrela fissilis), cerejeira brasileira (Eugenia involucrata), corticeira (Erythrina falcata), angico vermelho (Anadenanthera colubrina), paineira (Chrosia speciosa), louro (Cordia trichotoma), guajuvira (Cordia americana) e jabuticabeira (Plinia trunciflora). Graças ao uso de uma técnica de plantio com hidrogel, 95% das mudas sobrevivem, conta João Maria Ribeiro, responsável pelo horto há 17 anos.

O programa de reflorestamento da ENGIE nas duas usinas hidrelétricas do rio Iguaçu abrange uma área de 360 hectares, em um perímetro de 770 km em torno dos reservatórios. Desde 2006 a empresa já plantou 770 mil mudas de árvores nativas. Para 2019, a meta é consolidar a fase de manutenção, plantando outras 8 mil em Salto Santiago e 3 mil em Salto Osório.

Outro projeto ambiental relevante é o povoamento de peixes, desenvolvido em parceria com a Unioeste e o Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais. Desde 2013, já foram soltos 500 mil peixes de espécies nativas nos reservatórios das duas Usinas. O projeto envolve a captura de espécies-alvo no rio Iguaçu e tributários, seguida de fecundação artificial em laboratório. A meta para 2019 é soltar mais 120 mil peixes.

Fonte: Assessoria