Os resultados da operação Mata Atlântica em Pé, que detectou o desmatamento de 1,3 mil hectares de mata de araucárias, e os dados levantados pelo RBJ, que apontam a derrubada de 91,7 mil hectares de pinheiros na região de Palmas, Sul do Paraná, foram analisados pelo Bispo da Diocese de Palmas/Francisco Beltrão, Dom Edgar Xavier Ertl. Ouça a entrevista clicando aqui

Para ele, os números “por si só” já retratam o alerta emitido pela Igreja do Brasil através da Campanha da Fraternidade deste ano, cuja temática “Biomas brasileiros e a defesa da vida” tem como lema, “Cultivar e guardar a criação”.

Um dos questionamentos levantados por Dom Edgar é a responsabilidade sobre esses atos. “Quem são os responsáveis por isso (desmatamento)? São os proprietários da áreas onde acontecem as derrubadas? Mas, quem autoriza? Isso é feito de maneira clandestina? “, indaga.

Salienta que a Campanha da Fraternidade busca unir esforços, além da Igreja, juntamente com organizações que lutam pela preservação ambiental, ressaltando a obrigação de todos no cuidado da “Casa Comum”, respeitando o ecossistema, usufruindo apenas do necessário para a subsistência humana. “Mas, infelizmente, a ganância, os interesses econômicos falam muito mais alto”, lamenta.

Outro ponto de preocupação do Bispo Diocesano é a alteração no ecossistema do Sudoeste do Paraná, citando o desmanche de morros e áreas verdes para a expansão das lavouras. “As pessoas dizem que é para aumentar a lavoura de soja e de milho, porque assim vamos ter mais grãos na mesa do brasileiro. Isso é uma falácia! Um discurso que não podemos acreditar! Uma falsidade!”, critica Dom Edgar.

Lembra ainda de outra problemática encontrada na região, o uso irracional de agrotóxicos. Para Dom Edgar é inconcebível a utilização de agroquímicos até mesmo para a limpeza de pátios de residências. Aponta que é necessária a realização de uma campanha, unindo entidades e pessoas comprometidas com a defesa do meio ambiente. “Nós precisamos descobrir o quê e como fazer para salvar o planeta. Ele precisa ser salvo e nós temos que salvá-lo o quanto antes”, finaliza.