Por Luiz Carlos Bittencourt

 

   Aconteceu nos dias 19 a 21 de agosto, em Belo Horizonte-MG, o XIII Congresso Nacional da Pastoral Familiar. Teve a participação de mil congressistas de todas as dioceses brasileiras. A Diocese de Palmas-Francisco Beltrão foi representada pelo Pe. Valdecir Bressani (assessor diocesano da Pastoral Familiar) e pelos casais Amauri e Idete Favaretto, Luiz Carlos e Vanderléia Bittencourt (coordenadores diocesanos e provinciais da Pastoral Familiar).
   O tema do Congresso foi “Família: Pessoa e Sociedade”, lema: “Somos cidadãos e membros da família de Deus” (Ef 2,19). O objetivo geral foi fortalecer a Instituição Familiar que deve ser na sociedade imagem e figura daquilo que todos somos chamados a ser no mundo – Família Humana, Família de Deus. A através da formação e da partilha de experiências alicerçar o trabalho da Pastoral Familiar naquelas dimensões que melhor explicitam o sentido de pertença à família hoje, na individualidade e na coletividade.
   Foram abordados os temas: Família: Pessoa e Sociedade, identidade pessoal e família, ecologia humana, família na mudança de época, somos cidadãos e membros da família de Deus, experiências significativas da Pastoral Familiar, segunda união estável e família diante das drogas. Também foi feita a abordagem do INAPAF (Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar).

Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari-BA e presidente da Comissão Episcopal par a Vida e a Família da CNBB
    Disse Dom Petrini: “No tempo presente, cada vez mais homens e mulheres pensam poder plasmar autonomamente sua existência e, de maneira especial, o corpo, a definição da identidade sexual e, portanto, a identidade pessoal, a abertura ou não à generatividade, os tempos e os modos da maternidade, etc. As escolhas são determinadas por referências subjetivas, perseguindo o sonho de um próprio poder sobre a vida e sobre a morte, prescindindo de qualquer ponto de referência objetivo, ignorando a natureza humana como dada e o desígnio do criador.
O XIII Congresso Nacional da Pastoral Familiar foi positivo. Tivemos encontros com os assessores e casais responsáveis pela Pastoral Familiar. Foi um momento muito rico. Compreende-se a situação de variedades e pluralismo. Dentro disso é importante identificar o rumo certo, o caminho que é nosso e de Jesus, o caminho traçado pelo Papa João Paulo II. A Pastoral Familiar é o caminho humano de felicidade, de realização. Não estamos falando de fazer sacrifícios, mas redescobrir toda a beleza, toda a alegria. Isto é possível. Tem que acontecer de uma maneira que possa cativar, atrair outros para que entendam o melhor caminho para percorrer, para nossa realização. E os jovens não pensem que melhor são outros caminhos, mas que acabam sendo armadilhas, mas que possam descobrir e certificar-se que verdadeiramente o caminho de Jesus, da família fundada no matrimônio, é a que mais corresponde a expectativa do nosso coração de amar e ser amado na fidelidade, é aquilo que mais nos convém”.
   Ao receber o subsídio da Pastoral Familiar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, Dom Petrini valorizou a iniciativa: “Este subsídio vai contribuir muito com a evangelização da Pastoral Familiar. É exatamente isto que estamos querendo, pois podemos utilizá-lo para nossos grupos de família em todo o Brasil, que chamamos de grupos de vida fraterna que imitam as comunidades das origens”.

Psicóloga Renate Jost de Moraes, criadora do Método de Terapia ADI (Abordagem Direta do Inconsciente)
    Renate abordou o tema “Identidade Pessoal e Família”. A palestra objetivou abordar sumariamente os problemas de desestruturação familiar e da perda do referencial humanístico para crianças, jovens e adultos. Essa situação impacta o meio social acabando por criar a problemática que todos conhecemos e que atinge toda a humanidade. Os governos praticamente só tratam dessa questão em suas consequências. Intelectuais e acadêmicos se detêm mais sobre teorias explicativas, mas pouco se fala sobre possíveis soluções que possam modificar essa realidade e preveni-la com efetividade. A palestra também teve como objetivo a partir da interioridade do ser humano e suportada por uma pesquisa científica que já separa três décadas e o tratamento individual de mais de 100 mil pessoas, oferecer propostas, não só para a recuperação psicofísica, mas para o resgate das características intrínseco-universais do ser humano, em integração harmoniosa com a família, irradiando-se essas mudanças beneficamente sobre o meio social, num processo de recuperação humanizante e socializante.
   Ressaltou a psicóloga Renate que a gestação é a fase mais importante da vida humana. O carinho do casal tem grande influência nas crianças: “As crianças que têm pais que se amam são crianças que dificilmente darão problemas. A criança reflete no parto o que ela sentiu durante a gestação e reage em função disso”. Sobre o relacionamento do casal, a psicóloga esclareceu: “A vida sexual é o complemento, não a base. A solução para trabalhar os problemas sociais é dar atenção à família, através do a mor conjugal”.

Dom Severino Clasen (Bispo de Araçoaí-MG e bispo nomeado para assumir a Diocese de Caçador-SC)
   Dom Severino disse que neste congresso tivemos a grande oportunidade para refletir sobre as mais variadas situações e aspectos da nossa sociedade onde a família vive, se relaciona, se supera, fomenta seus sonhos, suas esperanças e seus desatinos. “Como cidadãos da família de Deus, temos os mesmos sentimentos de pertença, a mesma fé alimentada nas mesmas verdades, e sonhamos com as mesmas aspirações para vivermos bem, sermos felizes, termos aprofundado a bela e rica experiência do amor e da felicidade. Queremos nos lançar com esperança para alcançar uma visão de futuro mais sólido. O futuro pertence a Deus e em Deus viveremos definitivamente a partir da verdade proclamada para todos os que crêem na ressurreição de Cristo. A partir dessa verdade aspiramos conduzir e proteger a nossa família. Não podemos esquecer que somos produtos da cultura cristã que nos ensinou a conviver com sensibilidade e integração com toda a criação. Novos tempos, novas exigências, novos desafios, novas tensões e novas oportunidades, eis a situação do nosso mundo. A família se torna a grande vítima dessas mudanças quando elas não forem equlibradas e humanizadas. Nossa preocupação: estamos cuidando, construindo um mundo bom e seguro para nós mesmos e para as gerações futuras? Temos consciência de que somos fruto da família de Deus e que aspiramos “novos céus e nova terra?” quais são as interpelações que o mundo de hoje nos faz e que desintegram rapidamente a família? As forças da manutenção de uma família protegida pelo amor e pelo grande sentido do viver se ancoram em três pilares; Trabalho, Amor e Transcendência. São os alicerces de uma cidade, de uma família e de uma pessoa bem estruturada. Com essas palavras ‘mestras poderemos entender de que somos de fato, Cidadãos, Membros da Família der Deus”.
 

Dom João Bosco – Presidente da CNBB Regional Sul 2 Paraná


   “Em todo o Brasil vemos com muita preocupação a situação da família e ao mesmo tempo com muita esperança a Pastoral Familiar como uma forma de se organizar para fazer frente a todos os problemas que a família vem enfrentando. Está mais do que na hora de tomarmos consciência, ou fazemos juntos alguma coisa pela família, a Igreja é a única vós forte que ainda defende a família do jeito que ele deve ser, ou sofreremos as consequências disso. Então este congresso nos ajuda a organizarmos nossa Pastoral Familiar e estar presente em todas as pastorais e movimentos da Igreja com a realidade da família. A Pastoral Familiar tem um encargo muito importante e essencial. O próprio Papa João Paulo II dizia que o futuro da humanidade passa pela família. Bento XVI diz que a família tem que ser um eixo transversal de toda a ação da Igreja. Está na hora de abraçarmos esta causa e defender a família”.


Pe. João Batista Libâneo (Jesuíta, professor na faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

   “Hoje, como as pessoas estão mais conscientes de seu próprio valor e também o valor dos outros, então não funciona uma relação imposta de fora. As pessoas mesmas têm que descobrir a sua identidade, suas diferenças e nesse relacionamento ambas se enriquecem. No caso a esposa e o esposo, os pais e filhos, se existir um bom relacionamento, a educação acontece. Mas através da imposição da autoridade não formamos ninguém e não criamos uma família harmoniosa. Aí existe o trabalho da Pastoral Familiar em conjunto com as demais pastorais e movimentos para o trabalho em conjunto com os diversos setores da Igreja. Elas, entre si, podem se ajudar”.