No mundo, em todas as cidades, existem pessoas com casos de vulnerabilidade social, ou seja, moradores de rua. Em Francisco Beltrão, a situação não é diferente. Por isso, nesta semana, o repórter Ademir Augusto, da Rádio Onda Sul Fm, sensibilizado com o assunto, conversou com diversos moradores de rua, da cidade, com o objetivo de tentar ajudá-los e dar um encaminhamento definitivo do problema.

O primeiro entrevistado foi o seu Joarez da Silva, 53 anos que vive em Francisco Beltrão há 22 anos, mas que vem de Salgado Filho. Durante a abordagem, ele contou várias histórias e os motivos pelos quais o transformaram em andarilho. Sem vergonha nenhuma da profissão, de catador de papel, Joarez afirmou que não volta para o município de origem, tão pouco para filha que vive em Pranchita, pois não quer largar a função, de circular pela cidade, embusca de papéis e lixo reciclável.  Quando perguntado o que ele iria almoçar, Joarez respondeu que não sabia e nem se iria comer durante o dia todo “nós [moradores de rua] vivemos da doação das pessoas. Se nos dão comemos, se não, não” afirmou ele. Com o trabalho diário, Joarez recebe aproximadamente R$ 15,00 a R$ 20,00 por semana, dependendo da produtividade.

A outra entrevistada foi Letícia Gonçalves, 34 e que está há 4 anos dormindo na rua, sem local definido. Ela afirmou que tem três filhos e moram com a avó porque não aceitam a mãe, moradora de rua. Letícia falou também que tem problemas com alcoolismo, tabagismo e complicações de saúde. Durante toda a conversa, ela demonstrou pouca vontade de ser ajudada ou de sair dessa vida “estou na rua por necessidade e não por opção. No dia das crianças eu nem apareci para ver meus filhos. Todos os dias, os meus filhos passam por mim, para ir à escola, mas eles não me reconhecem, porque tem vergonha de mim. Posso até largar da bebida, mas do cigarro não”, declarou ela.

O responsável pela abordagem aos moradores de rua do CREAS, Gilson Bitiner afirma que é necessário muito cuidado na aproximação para não assustar as pessoas “eles não tem vincular familiar e muitos deles tiveram rompimento na família e por isso precisamos ter uma abordagem de acesso à eles”.

Hoje são 12 pessoas que vivem nas ruas de Francisco Beltrão, segundo dados levantados pela secretaria de assistência social. A secretária, Ana Lúcia Manfrói afirma que tem dificuldade de ajudar essas pessoas. Já que não existe uma lei que obrigue as pessoas a sair da rua, pois há resistência dos próprios moradores em serem ajudados. A solução imediata encontrada é de encaminhamento à ONG Santa Aliança, Casa de Caridade e Promoção Humana. Entretanto, Ana afirma que os moradores que são encaminhados para ONG tem dificuldade em lidar com as regras estabelecidas e voltam para as ruas.

ouça  as entrevistas sobre o tema: