Com o passar do tempo os valores, pensamentos, atitudes, as pessoas mudam. Nessa viagem por transformações, na busca pelo ser ideal, gera reflexo no lar. No mundo globalizando, onde num piscar de olhos você acompanha informações de qualquer canto da terra. Infelizmente escutamos com frequência, atos de violência cometidos entre homem e mulher, de pais para filhos, ou com pessoas próximas ao elo familiar.

Para o Psicólogo Roberto Florentino da Silva. A origem da violência é humana, ela aparece sempre quando a pessoa acredita ser superior a outra. “Somos animais e somos violentos. Tentamos civilizarmo-nos, desenvolver conceitos mais altruístas, viver em comunidade, elaborar leis e direitos para convivência pacífica, mas nossos modelos ainda sofrem um pouquinho em não aceitar a natureza humana. A violência familiar tem muito a ver com os modelos”.

Violência, uma palavra pequena, mas quando se tona realidade machuca pessoas, destrói famílias e sociedade. “Toda vez que um ser humano acha outro mais desqualificado, ou menos merecedor de atenção, ele se torna agressivo. Todas as vezes que um ser humano desqualifica o outro, acontece a questão da violência”. Destaca Silva.

Da década de 80 para meados de 2016, a realidade da família brasileira mudou. A mulher conquistou seus direitos, principalmente no mercado de trabalho. O homem assumiu mais responsabilidades nos serviços domésticos. Agora, todos estão juntos e conectados na internet. Por mais que essa realidade tenha mudado, a violência, muitas vezes silenciosa, apenas mudou de papel.

“Na família antiga chegava o pai em casa, as crianças não falavam nada porque papai está em casa. Isso é uma estupidez, uma violência absurda, ainda existe em algumas famílias. Nós vivíamos um modelo brutal, o que houve, foi que essa autoridade autocrática do patriarquismo foi mudando e as mulheres conseguiram ganhar dinheiro, se sustentar, não depender mais dos homens”. Comenta o Psicólogo.

Padre Geraldo Macagnan / Foto: Arquivo RBJ
  • Compartilhe no Facebook

Padre Geraldo Macagnan / Foto: Arquivo RBJ

Na perspectiva de crescimento e desenvolvimento da sociedade e das famílias, aconteceu muita mudança positiva, como também negativa. No meio de processo surge a Crise de Valores e Inversão dos Valores, segundo fala o Vigário Geral da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão, Padre Geraldo Macagnan. “Essa crise e inversão, está mostrando uma crise plenamente humana. Quando o humano se torna desconhecido do outro, o outro é ameaça, isso estamos vendo nas realidades da família”.

Outro fato que contribui para a desunião familiar é a individualidade das pessoas. Somente o meu mundo importa, os outros são segundo plano. Muitos querem somente curtir a vida, sem prensar nas consequências, “se eu tenho que aproveitar a vida e aproveitar significa eliminar aqueles que possivelmente atrapalham a vida. Por exemplo, se os pais não querem os filhos porque vão atrapalhar o aproveitar a vida, eles vão eliminar os filhos. Por isso que estamos perdendo o senso de valores, limites, estamos vivendo numa sociedade que é muito cheia de direitos, mas estamos esquecendo os deveres”. Comenta padre Geraldo.

A par desse cenário, a igreja católica reconhece os desafios de reestruturar a família. Segundo Padre Macagnan, o trabalho dos movimentos e pastorais, aliado a proximidade da igreja com as pessoas e o ponto principal, não perder a fé.

“Esse desafio é muito buscado, tanto é que no último documento do Papa Francisco ele apresenta normas, como a pastoral familiar, movimentos que trabalham a família, movimentos e pastorais que trabalham com os jovens, tudo aproxima. A grande proposta para isso, principalmente hoje é ter a coragem do humano não perder o humano. Aqui entra um papel fundamental, da questão da visita, proximidade e nunca esquecer a questão da espiritualidade”.

 

Acompanhe a matéria em áudio.