Quando épocas comemorativas se aproximam a preocupação com os animais de estimação aumentam, devido a grande queima de fogos de artifício. O medo do barulho leva principalmente os cães a terem atitudes desesperadas, como fugir, se esconder em locais perigosos e destruir os móveis por causa do nervosismo. O veterinário do Centro Veterinário Menin, Angelo Menin, deu dicas de cuidados para garantir o bem-estar dos animais.

“O que muita gente não sabe é que o ouvido dos animais é no mínimo quatro vezes mais sensível que dos humanos e por isso temos que preparar os animais para que nenhum acidente aconteça ou para que possamos minimizar os riscos”, iniciou.

Veterinário Angelo Menin em entrevista exclusiva para o RBJ. (Foto: Juliana Raddi)
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Veterinário Angelo Menin em entrevista exclusiva para o RBJ. (Foto: Juliana Raddi)

Identificação: É importante que os animais estejam identificados, com uma coleira com nome e endereço, desse modo, “se o animal fugir durante os festejos, quem encontrá-lo poderá devolvê-lo com facilidade”.

Ambiente: Alguns proprietários pensam em tirar os animais de dentro de casa e deixá-los para o lado de fora, com medo de que eles estraguem alguma coisa dentro de casa, porém, o veterinário destaca que essa atitude não é correta. “Se ele é acostumado dentro de casa, quando você tira para fora os perigos aumentam. Quando os animais ficam nervosos por causa dos fogos, geralmente tendem a fazer coisas que não fariam normalmente, como escalar grades, murros e nessas horas acontecem os acidentes”. Outra dica é deixar os animais em locais silenciosos, seguros e deixar um som ligado para que minimize o efeito dos sons dos fogos. “A gente pede para que nesse local onde o animal vai ficar não tenham nada que possa ocasionar acidentes, como objetos pontiagudos ou que possam quebrar. Também, pode-se colocar um pano no animal ou uma roupa com o cheiro do proprietário, isso vai deixá-lo mais calmo”.

Incentivo ao barulho: “Quando os animais estão assustados por causa dos fogos, a tendência é tentar proteger, pegá-los no colo e dizer ‘ah, coitado do meu animalzinho está com medo!’ e é totalmente o contrário que deve ser feito. Quando há um barulho, trovão, fogos de artifício, deve-se incentivar, bater palma, dizer ‘Que legal!’, assim você estará acostumando o animal com aquele barulho. Você deve nessa hora buscar o brinquedo preferido do animal, jogar para que ele possa brincar, dar um petisco para ele nessa hora. Ambientar o animal com o barulho, para ele entender que o barulho é normal”.

Alimentação: É necessário tomar cuidado com a alimentação dos animais, pois nessa época do ano os índices de torção gástrica são consideravelmente maiores. “Não se deve alimentar os animais principalmente com alimentos da ceia e até mesmo com a ração deles, antes dos fogos. Há um grande índice de torção gástrica nessa época do ano, porque eles comem, ouvem os fogos, ficam nervosos, se agitam e aí acontecem os casos de torção gástrica.”

Os veterinários Angelo Menin e Caroline Lucini (Foto: Juliana Raddi)
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Os veterinários Angelo Menin e Caroline Lucini explicam método para acalmar animais durante a queima de fogos. (Foto: Juliana Raddi)

Proteção para ouvidos: Usar algodão é uma boa opção para diminuir os ruídos. “Há alguns protetores auriculares específicos para cães, mas se você não tem acesso, o algodão ajuda. Deve-se colocar uma buchinha de algodão, que fique na parte externa do conduto auditivo, não precisa empurrar para dentro é só algo que seja provisório para diminuir os ruídos. De preferência realizar esse procedimento um pouco antes da meia noite, que é quando o pessoal começa a soltar os fogos, mas é importante não esquecer de tirá-los após os fogos, porque acaba criando umidade e os animais precisam do ouvido para o seu dia a dia”.

Uso de medicamentos: Muitas pessoas procuram o veterinário no final de ano para adquirirem sedativos, calmantes ou tranquilizantes, esse uso pode ocasionar riscos. “O grande risco desses medicamentos é que se eles nunca foram testados anteriormente corre-se o risco de ter um efeito negativo durante a queima dos fogos. Ou seja, os animais passarem mal ou ficarem mais hiperativos. Então, se o seu animal nunca teve a necessidade de utilizar nenhum medicamento para diminuir a ansiedade, agora não é a hora de começar a usar”.

Adestramento: Quem deseja se preparar antecipadamente para a queima de fogos de final de ano, pode procurar por adestradores, já que não existem fogos apenas no final de ano. “Existem serviços de adestramento que auxiliam os animais a aceitarem melhor essas questões dos fogos, pois temos fogos quando o time da gente ganha, perde, existem também as chuvas e com elas os trovões, sendo que é muito comum os animais terem medo. Então pensar em adestrar o seu animal é sempre uma boa opção para não sofrer tanto”.

A particularidade do animal deve ser entendida pelo tutor e pelo veterinário responsável, pois os animais não são iguais, cada um tem suas características e necessidades. “Não custa ir até sua clínica veterinária no final do ano e trocar uma ideia com o seu veterinário de confiança, pois ele junto com você vai conseguir identificar qual a melhor forma que se adequa ao seu animalzinho”, orienta.

Confira a entrevista na íntegra: